sábado, 10 de janeiro de 2026

Organizado, o arquivista, voltou!

As Aventuras de Organizado, o arquivista (II) chegou! E já estou curiosa para ler "analogias perfeitas e boas doses de humor", "interlocuções do arquivo com o cotidiano" e cada uma serve de "metáfora para suas inquietudes". As aspas são para a Professora Valéria Raquel Bertotti, que prefaceia a segunda obra do colega arquivista Décio Vidal.

A primeira coletânea das tiras do personagem Organizado, o arquivista é sensacional, já li e utilizei em treinamento, esta segunda, já imagino o sucesso. Recomendo muitíssimo.


quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Leitor viaja por aí...

Hoje, celebramos quem abre e lê livros, e com eles amplia o olhar sobre a vida.

Ler é um ato de atenção às ideias, às pessoas, às histórias, aos lugares e às transformações do mundo.

O leitor não corre o risco de passar pelos dias sem perceber nuances, sentidos e possibilidades. Ele percebe tudo isso.

A leitura desperta, provoca, questiona e conecta tudo a todos. É por meio dela que compreendemos melhor tudo que nos cerca e a nós mesmos.

Eu estou lendo "Bibliotecas no Mundo Antigo", de Lionel Casson, e viajando por esse mundo. E você?

Seja leitor! 📚


segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

domingo, 4 de janeiro de 2026

Escribas e Copistas

Lendo "Bibliotecas no Mundo Antigo", de Lionel Casson, me deparei com os termos escribas e copistas. Embora já conhecesse a diferença de forma mais comum, o livro trouxe a oportunidade de aprofundar a questão. Apesar de serem usados frequentemente como sinônimos, pois ambos representam quem escrevia à mão antes da invenção da imprensa, existe uma distinção sutil, especialmente ligada ao status social e à autonomia de cada função, por isso, apresento as principais diferenças.

Escriba: administrador e intelectual

Escriba na Suméria, cerca de 2.500 A.C

​Na Suméria, os escribas eram a espinha dorsal da civilização. Em uma sociedade que inventou a escrita cuneiforme, para gerenciar a complexa economia de suas cidades-estado, esses profissionais detinham o "superpoder" da época: a alfabetização. 

Eram formados na "Casa das Tábuas" (Eduba) e para se tornar um escriba era um processo longo, caro e rigoroso. Os jovens, geralmente de famílias ricas, frequentavam a Eduba, começavam aprendendo a moldar a argila e a cortar o estilete de cana. Depois, memorizavam milhares de sinais e listas de vocabulário, progredindo para matemática, contabilidade e literatura.

Historicamente, especialmente no Egito Antigo, na Mesopotâmia e na Judeia), o escriba era muito mais do que um "copiador". Ele era um profissional de elite e um funcionário público.
  • ​Função: além de escrever, ele redigia leis, gerenciava impostos, registrava censos, interpretava textos sagrados e atuava como secretário real.
  • ​Poder: possuía grande prestígio social porque dominava a escrita em sociedades onde a maioria era analfabeta.
  • ​Autonomia: no contexto bíblico ou egípcio, o escriba podia ter autoridade para interpretar a lei ou adaptar textos administrativos. Eles eram os "guardiões do conhecimento". 

Copista
: especialista em reprodução

​O copista, apesar de já existir na Antiguidade, é mais comum a partir da Idade Média, como os famosos monges copistas, e a sua função foca, especificamente, no ato de replicar um conteúdo já existente.
Se estamos falando sobre a administração de um império antigo, o correto é usar escriba. Se estamos falando sobre a preservação de livros e a criação de bibliotecas manuais, devemos usar copista.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Haja bibliotecas!

Iniciando o ano com a leitura de "Bibliotecas no Mundo Antigo", de Lionel Casson, da Editora Vestígio.


Foi presente de Natal da minha filha e já iniciei a leitura. Além das bibliotecas citadas, há todo um contexto histórico em volta da existência e uso de cada uma delas.

O autor, que foi um renomado especialista em história clássica, traça uma linha do tempo que vai desde as tabuletas de argila da Mesopotâmia até a transição para as bibliotecas monásticas da Idade Média.

Digo "haja bibliotecas!" porque para o contexto do mundo antigo, com a dificuldade para reprodução dos livros, quando era usado o trabalho dos copistas, as que existiam, já eram em número considerável.

Não há um número exato de bibliotecas no mundo antigo, mas existiram dezenas, talvez centenas, desde as primeiras em tábuas de argila na Mesopotâmia, passando por centros icônicos como Alexandria e Pérgamo, até as muitas bibliotecas públicas e imperiais em Roma, com cerca de 13 na época de Augusto, consolidando-se como centros de cultura e poder em diversas civilizações antigas.

Seguem alguns dos principais exemplos e contextos, segundo o autor:

As origens no Oriente Próximo

​O livro começa demonstrando que as primeiras "bibliotecas" não eram centros de lazer, mas arquivos administrativos e reais. As primeiras bibliotecas surgiram na Mesopotâmia (2º milênio a.C.), com coleções de tábuas de argila, como a lendária biblioteca de Assurbanipal em Nínive.​

Tabuletas de argila: na Suméria, Babilônia, os "livros" eram feitos de argila.

Biblioteca de Assurbanípal: Casson destaca a biblioteca do rei assírio em Nínive como o primeiro exemplo de uma coleção organizada sistematicamente, contendo textos literários, religiosos e científicos, além de documentos governamentais.

​A Revolução Grega e o papiro

​Com a introdução do papiro (vinda do Egito) e o florescimento da cultura grega, a leitura deixou de ser apenas uma ferramenta estatal para se tornar parte da educação (paideia) e do lazer. Surgem bibliotecas privadas e Aristóteles é citado como um dos primeiros grandes colecionadores de livros, cuja biblioteca serviu de modelo para o que viria a ser o padrão helenístico.


​Um capítulo central é dedicado a Alexandria. Casson explica como os Ptolomeus buscaram "coletar todos os livros do mundo".Grécia e Helenismo: cidades como Alexandria e Pérgamo abrigavam grandes bibliotecas, famosas por seus vastos acervos de papiros e pergaminhos e por atraírem estudiosos.

Sobre a organização, ele detalha o trabalho dos bibliotecários (como Calímaco), que criaram os primeiros catálogos (Pinakes), estabelecendo métodos de classificação que influenciaram bibliotecas por séculos.

Sobre a concepção de biblioteca da época, esta não era apenas um depósito, mas parte de um centro de pesquisa (o Museion).

Roma: bibliotecas públicas e status

​Os romanos inicialmente adquiriram bibliotecas como espólios de guerra das cidades gregas. A Roma Antiga desenvolveu bibliotecas importantes, como as de Augusto e Trajano, com milhares de rolos e espaços dedicados à leitura, refletindo o apreço pela cultura grega e latina.​

Bibliotecas públicas: Júlio César planejou e Augusto executou a criação de bibliotecas abertas ao público. Em Roma, era comum as bibliotecas terem duas seções: uma para textos em grego e outra para textos em latim.

Arquitetura: Casson descreve como eram os prédios: nichos nas paredes para guardar os rolos (volumina) e espaços para leitura com luz natural.

Havia bibliotecas em outras Localizações como em villas (Vila dos Papiros em Herculano), templos, e até mesmo coleções particulares, mostrando a disseminação do hábito de guardar livros.​

Mudanças tecnológicas: do rolo ao códice

​O autor explica a transição crucial do rolo de papiro para o códice (o formato de livro com páginas encadernadas que usamos hoje). O códice era mais prático para consulta e permitia escrever nos dois lados, além de ser mais durável por usar pergaminho (pele de animal).


​O livro termina mostrando como a ascensão do Cristianismo mudou o foco das bibliotecas. Com o declínio do Império Romano, as grandes bibliotecas públicas desapareceram, e o conhecimento passou a ser preservado quase exclusivamente em mosteiros, onde o foco era o estudo de textos sagrados, mas onde os monges copistas também acabaram salvando muitos textos clássicos da antiguidade.

Embora seja impossível quantificar todas, o mundo antigo foi rico em bibliotecas, que variavam de grandes instituições estatais a coleções privadas, essenciais para a preservação do conhecimento.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Ano XVII de Leitura e contexto

Leitura e contexto entra no ano XVII. São anos de dedicação de escritos, sempre considerando o contexto em que se vive e a leitura que se faz de tudo que é analisado para postagem.

São textos que não apenas informam, mas que também enriquecem a alma e expandem horizontes, sempre com um olhar atento à leitura crítica e ao contexto que a envolve.

​Em um mundo onde a informação superficial e o conteúdo efêmero muitas vezes dominam, "Leitura e Contexto" se estabeleceu como um oásis de reflexão. A cada postagem o blog tem demonstrado um compromisso inabalável com a qualidade e a relevância. Não se trata apenas de ler palavras, mas de compreender as nuances, as entrelinhas, as histórias por trás das histórias.

​A leitura, para "Leitura e contexto", é um ato de descoberta, uma porta para novos universos. O contexto, por sua vez, é a chave que destrava esses universos, permitindo que cada palavra ganhe um significado mais profundo. Seja explorando assuntos técnicos ligados à Biblioteconomia e Arquivologia, seja nas aplicações práticas dessas duas ciências e em tudo que as envolvem. Em algumas postagens há críticas sobre o contexto de algum fato ou evento, conforme a leitura que foi feita. Nas postagens relativas à família e à natureza, o respeito é é em grande dimensão.

​Celebrar o ano XVII de "Leitura e contexto" é celebrar a persistência, a paixão pela palavra escrita e o poder transformador do conhecimento. É reconhecer a importância de espaços que nos convidam a ir além do óbvio, a questionar, a refletir e, acima de tudo, a crescer como indivíduos. Que venham muitos mais anos de leitura e contexto, iluminando caminhos e inspirando mentes!

Brindes lá e cá!

Finalmente brindamos 2025/2026!
Feliz Ano Novo!



2026 começou, vamos escrevê-lo?

Abrir o livro de 2026 e começar a escrevê-lo.

2026 começa como um livro ainda fechado, com páginas em branco esperando coragem, intenção e presença. Não se trata apenas de virar o calendário, mas de assumir a autoria do tempo que vem pela frente. Cada dia é uma linha nova, cada escolha um parágrafo que dá sentido à história.

Escrever 2026 é permitir-se recomeçar com mais consciência, tanto do que merece continuar, como do que precisa ser encerrado e ainda do que a pode nascer. Não é sobre perfeição, mas sobre constância, nem sobre pressa, mas sobre direção.

Que este ano seja escrito com decisões alinhadas, silêncios necessários, aprendizados sinceros e sonhos que saem do rascunho. Que as páginas não sejam apenas preenchidas, mas vividas, porque, ao final, 2026 não será apenas um ano passado, será uma narrativa construída, linha por linha, por cada um de nós.