Arquivos históricos são muito mais do que apenas "depósitos de papéis velhos". Eles são a espinha dorsal da nossa memória coletiva e escondem fatos fascinantes sobre como a humanidade se desenvolveu e organizou sua própria história.
Pesquisei sobre algumas das curiosidades mais interessantes do mundo dos arquivos e cito a seguir.
Arquivos nem sempre foram públicos
Por muito tempo, arquivos serviram apenas ao poder do Estado. A ideia de acesso público é relativamente recente e ligada à democracia e ao direito à informação.
Um erro de arquivamento pode mudar a história
Documentos mal descritos ou classificados podem ficar “invisíveis” por décadas — há descobertas históricas feitas simplesmente porque alguém reorganizou um fundo documental.
O Papel não é o único suporte
A Arquivística não trata apenas com documentos em papel. Existem arquivos em suportes inusitados, que existiram ao longo do tempo.
- Tabletes de argila: As "planilhas" da Mesopotâmia que duram milhares de anos.
- Papiro e pergaminho: se o papel moderno é o "queridinho" da nossa era, o papiro e o pergaminho foram as superestrelas da antiguidade. Eles não só permitiram o registro da história, como ditaram a forma como lemos e escrevemos até hoje.
- Microfilme: Uma tecnologia antiga, mas ainda uma das mais confiáveis, pois podem durar até 500 anos se conservados corretamente.
- DNA: Pesquisadores já estão testando o armazenamento de dados digitais em cadeias de DNA, que podem guardar quantidades massivas de informação por milênios.
Cheiros e cores contam história
O amarelado do papel, manchas e até o cheiro característico vêm da oxidação da celulose e dos tipos de tinta usados em diferentes épocas.
Inimigos silenciosos
Há outros inimigos do arquivo além do fogo.
Arquivo Apostólico do Vaticano (antigamente chamado de "Arquivo Secreto") possui cerca de 85 quilômetros de estantes lineares. Apesar do nome "secreto", o termo vem do latim secretum, que significa "particular" ou "privado". Hoje, pesquisadores qualificados podem acessar a maioria dos documentos, que incluem registros da Inquisição, excomunhão de Martinho Lutero, cartas de Maria Antonieta, dentre outros.
O Arquivo do Fim do Mundo
Localizado na Noruega, o Svalbard Global Seed Vault é tecnicamente um arquivo de sementes. Ele armazena duplicatas de sementes de todo o planeta em uma montanha gelada para garantir a segurança alimentar da humanidade em caso de catástrofes globais.
Arquivo histórico é vivo?
A resposta é: depende da perspectiva, mas tecnicamente, não. Para a teoria arquivística clássica, o termo "arquivo vivo" é o oposto do "arquivo histórico". Vamos entender essa distinção para que não seja confundida.
Podem se ser considerados vivos somemte de forma metafórica, em sentido figurativo, pois diz-se que um arquivo histórico é "vivo" quando ele é frequentemente consultado por pesquisadores, quando gera novas interpretações sobre o passado ou quando é dinâmico em sua extroversão (exposições, mídias digitais)
No sentido técnico, chamar um arquivo histórico de "vivo" pode ser considerado um erro conceitual, pois o "arquivo vivo" (corrente) é aquele que ainda pode sofrer alterações administrativas, enquanto o histórico é custodiado para garantir sua imutabilidade.

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