sábado, 4 de abril de 2026

Hora de "malhar o Judas"

A tradição de "Malhar o Judas", é antiga, embora carregue um tom de manifestação popular e folclórica, possui raízes profundas na narrativa da Paixão de Cristo e no sentimento de justiça cristã. 

Consolidou-se entre os séculos XI e XIV na península Ibérica, chegando ao Brasil através dos colonizadores portugueses e espanhóis, adaptando-se à cultura local. Tornou-se, então, uma festa comunitária muito forte, especialmente no interior e nas cidades coloniais.

No contexto da Semana Santa, esse rito simboliza o acerto de contas espiritual com aquele que, por trinta moedas de prata, entregou o Messias.

Para o católico, a leitura que se faz da figura de Judas Iscariotes é de fragilidade humana e o perigo da ganância. Malhar o boneco de palha no Sábado de Aleluia não é um ato de celebração da violência, mas sim uma simbologia contra o mal.

Sob o foco católico, isso serve como um exame de consciência coletivo. Ao apontar a traição de Judas, a comunidade é convidada a identificar em si mesma as pequenas traições diárias, tais como a fofoca, a desonestidade e a falta de caridade.

E você, já fez seu exame de consciência? Já refletiu em que pode melhorar?

Com o passar dos séculos, a tradição evoluiu. No Brasil e em outros países da América Latina, o Judas deixou de ser apenas a figura bíblica para se tornar um espelho de personagens impopulares da sociedade, como políticos, empresários ou figuras públicas que a comunidade sente que "traíram" o povo.

E você, tem algum Judas para malhar?

Aqui em Fortaleza, é tradição o José do Judas confeccionar vários bonecos para este fim e expô-los para venda na avenida Murilo Bordes. E como eu sempre faço esse trajeto, fiz essas imagens que compartilho aqui, já fazendo a leitura, conforme o contexto.




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