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domingo, 9 de agosto de 2026

Leitura por opção, sem obrigação

A liberdade para escolher uma leitura dentro de um universo apropriado é essencial para acabar com posturas negativas em relação à prática da leitura, que ainda ocorrem no cenário didático pedagógico brasileiro, por conta do que é imposto e obrigatório.

A Biblioteca escolar pode contribuir muito com o incentivo à leitura. Para tanto, deve ter ambiente acolhedor, com leitura convidativa. É fundamental que existam momentos em que o usuário possa escolher o que quer ler, sem a obirgatoriade de um teste ou de um resumo posterior para prestar contas.

Além disso, o acervo deve permitir que o estudante transite entre diferentes gêneros desde a literatura clássica e contemporânea até histórias em quadrinhos, zines e textos informativos. Obviamente, com a mediação do bibliotecário para ajudar o leitor a conectar o conteúdo do livro com a sua realidade social, cultural e com outras áreas do conhecimento. Ainda acrescento que a tecnologia é uma parceira fundamental para ajudar nas escolhas, nos acessos e em todo o processo.

O especialista francês Michèle Petit, em sua obra clássica Os jovens e a leitura: com a palavra, os leitores, afirma:
​"Dar a ler não é impor uma leitura, é abrir um espaço de liberdade, oferecer a oportunidade de uma escolha."
Daniel Pennac, no livro Como um romance, diz que ​"O verbo ler não tolera o imperativo. É um tédio que compartilha com alguns outros: o verbo 'amar'... o verbo 'sonhar'." Ele defende os 'direitos do leitor', como o direito de ler qualquer coisa e o de não terminar um livro.

Bernadete Campello, uma das maiores referências brasileiras em biblioteca escolar, defende:
"A biblioteca escolar deve ser um centro de recursos para a aprendizagem e um espaço de mediação cultural, onde se cruzem o livro impresso e as novas tecnologias."

Portanto, a clareza e a autonomia do leitor juntamente com a mediação informativa sem imposição e a biblioteca escolar com todos os seus recursos físicos, humanos e tecnológicos, trazendo um espaço vivo e acolhedor, são fundamentais para a formação de leitores.

sábado, 16 de julho de 2022

Sou biblioteca escolar


Sou biblioteca escolar porque é a partir dela que crianças e jovens têm a oportunidade de iniciar e permanecer na prática da leitura, aprendendo a pensar e repensar a respeito de algo, fazendo interações com outras leituras, encontrando verdades mesmo que temporárias, até que façam novas leituras. 

É um mundo de possibilidades, incentiva o pensamento crítico e exercita a cidadania. Portanto, integrar a biblioteca à sala de aula, fazendo daquela uma extensão desta é fundamental para o processo de ensino-aprendizagem. 

A biblioteca escolar deve estar presente em toda escola como um espaço democrático de convivência social, onde possa ocorrer o intercâmbio de ideias, a exposição da subjetividade e, sobretudo, a interdisciplinaridade.

Sou bibliotecária de uma IES e vejo quão importante é para um aluno de nível superior chegar nesse patamar tendo passado pela vivência de uma biblioteca escolar.

Postado originalmente no LinkedIn, em 15/07/2022, sob as hashtags abaixo.
#SistemaCFBCRB 
#soubibliotecaescolar 
#bibliotecaescolar 
#Lei12244

quarta-feira, 31 de julho de 2019

"Biblioteca escolar sem bibliotecário é ilegal"

Compartilho aqui, na íntegra, campanha do CRB 3 CE/PI em alusão à contratação de bibliotecários, para as bibliotecas das escolas da rede municipal de Fortaleza.


“Biblioteca escolar sem bibliotecário é ilegal”, este é o mote da campanha encabeçada pelo Conselho Regional de Biblioteconomia da 3ª Região – Ceará e Piauí (CRB-3) que pede o apoio da sociedade civil para pressionar a Secretária Municipal de Educação (SME) de Fortaleza a cumprir a Lei nº 4.084/62, que regulamenta a profissão de bibliotecário como gestor único de bibliotecas.

Denúncias que chegam ao Conselho dão conta de que muitos destes equipamentos estão sob o comando de professores em restrição de função. Junte-se ao #CRB3CePi nesta empreitada e ajude você também a contratação de bibliotecários (as) nas escolas da rede pública de ensino de Fortaleza. Cobre da Ouvidoria da SME o cumprimento da lei, ligando para (85) 3459.6767.

Vamos ajudar o Ceará a ser um Estado de Leitores.

domingo, 24 de fevereiro de 2013

Inferindo sobre a biblioteca escolar pública via biblioteca de IES



Em 2010, já depois do advento da Lei 12.244/2010, tive a oportunidade e a vontade de falar em público na Assembléia Legislativa do Estado do Ceará sobre a situação das bibliotecas de escolas públicas do nosso Estado, mas não o fiz, porque pensei no momento: 

Nunca atuei em bibliotecas escolares, a minha experiência é com bibliotecas de IES, então, como vou falar a respeito?

Na oportunidade era discutida a questão das bibliotecas sem bibliotecários, o fato de serem chamadas de Centros de Multimeios, um desvio de nomenclatura para driblar a Lei e dispensar a presença do Bibliotecário e a promessa de concursos para suprir essa demanda. 

Esses espaços, geralmente, são geridos por professores com problemas de saúde, casos de ler/dort, questão de afonia, de alergia ou que já estão em fim de carreira. Com todo respeito, podem contribuir com suas experiências, mas, jamais gerir uma biblioteca, porque esta função é do bibliotecário, estabelecida por lei.



Mas, esta postagem não tem esse intuito de discutir essa questão específica (legal) de desvio de função, mas a de apontar a falta que um bibliotecário faz a uma biblioteca, para implementar ações próprias do seu mister. É óbvio que estou falando de um bom profissional.

Na época, não me deparei com a lógica da coisa, quem chega a uma instituição de ensino superior (IES), com certeza já passou pelos outros níveis. Portanto, hoje, refletindo a respeito, penso que a minha fala poderia ter sido oportuna, uma vez que tenho a percepção de como os alunos provenientes de escolas públicas chegam às bibliotecas de IES, na maioria dos casos,  inexperientes, sem vivência de leitor, sem saberem se portar, sem entenderem o funcionamento, por mais genérico que seja. E quando não são inexperientes (menos mal), totalmente alheios. Falta acervo, falta profissional, falta recursos, falta qualidade! Em função disso, poderia ter inferido a respeito e não estaria faltando com a verdade.