Visitei o Mosteiro de São Bento para assistir a missa em homenagem ao seu dia, 11 de julho, acompanhada de duas amigas maravilhosas, Efigênia e Valdira.
Passeando nas dependências externas me deparei com os painéis que representam os capítulos da Regra que ele estabeleceu. Aproveitei para fazer o registro em um dos painéis, exatamente o que ilustra livros dispostos em um ambiente, que se assemelha a uma biblioteca.
O documento escrito por São Bento de Núrsia no século VI é um texto único e unificado. Ele é chamado historicamente de "A Regra de São Bento" (do latim Regula Benedicti).
A estrutura do texto é dividida por 73 capítulos bem definidos e um Prólogo. Os capítulos tratam desde a organização da vida cotidiana no mosteiro até as virtudes, tais como a humildade e a obediência.
No capítulo 48 da Regra de São Bento, intitulado "Do trabalho manual cotidiano" (De opera manuum cotidiana), a "biblioteca" é explicitamente mencionada. Esse capítulo é um dos mais famosos e importantes da Regra, pois é nele que São Bento organiza o tempo dos monges entre o trabalho físico e a leitura orante e espiritual (Lectio Divina). Ele também fala da guarda e da organização dos livros.
Os monges também tinham momentos de leitura comunitária e organizavam os livros em locais, o que deu origem às bibliotecas monásticas.
A leitura não era vista como um passa-tempo. São Bento exigia que os monges lessem os livros em ordem e por inteiro, do início ao fim, com atenção, meditando nas palavras e evitando distrações. A leitura também era fiscalizada para garantir que ninguém ficasse sem ler o que devia ou disperso.
Esse cuidado com os livros e com o ato de ler acabou transformando os mosteiros beneditinos nos maiores guardiões e copiadores da literatura ocidental durante a Idade Média.




