domingo, 4 de janeiro de 2026

Escribas e Copistas

Lendo "Bibliotecas no Mundo Antigo", de Lionel Casson, me deparei com os termos escribas e copistas. Embora já conhecesse a diferença de forma mais comum, o livro trouxe a oportunidade de aprofundar a questão. Apesar de serem usados frequentemente como sinônimos, pois ambos representam quem escrevia à mão antes da invenção da imprensa, existe uma distinção sutil, especialmente ligada ao status social e à autonomia de cada função, por isso, apresento as principais diferenças.

Escriba: administrador e intelectual

Escriba na Suméria, cerca de 2.500 A.C

​Na Suméria, os escribas eram a espinha dorsal da civilização. Em uma sociedade que inventou a escrita cuneiforme, para gerenciar a complexa economia de suas cidades-estado, esses profissionais detinham o "superpoder" da época: a alfabetização. 

Eram formados na "Casa das Tábuas" (Eduba) e para se tornar um escriba era um processo longo, caro e rigoroso. Os jovens, geralmente de famílias ricas, frequentavam a Eduba, começavam aprendendo a moldar a argila e a cortar o estilete de cana. Depois, memorizavam milhares de sinais e listas de vocabulário, progredindo para matemática, contabilidade e literatura.

Historicamente, especialmente no Egito Antigo, na Mesopotâmia e na Judeia), o escriba era muito mais do que um "copiador". Ele era um profissional de elite e um funcionário público.
  • ​Função: além de escrever, ele redigia leis, gerenciava impostos, registrava censos, interpretava textos sagrados e atuava como secretário real.
  • ​Poder: possuía grande prestígio social porque dominava a escrita em sociedades onde a maioria era analfabeta.
  • ​Autonomia: no contexto bíblico ou egípcio, o escriba podia ter autoridade para interpretar a lei ou adaptar textos administrativos. Eles eram os "guardiões do conhecimento". 

Copista
: especialista em reprodução

​O copista, apesar de já existir na Antiguidade, é mais comum a partir da Idade Média, como os famosos monges copistas, e a sua função foca, especificamente, no ato de replicar um conteúdo já existente.
Se estamos falando sobre a administração de um império antigo, o correto é usar escriba. Se estamos falando sobre a preservação de livros e a criação de bibliotecas manuais, devemos usar copista.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Haja bibliotecas!

Iniciando o ano com a leitura de "Bibliotecas no Mundo Antigo", de Lionel Casson, da Editora Vestígio.


Foi presente de Natal da minha filha e já iniciei a leitura. Além das bibliotecas citadas, há todo um contexto histórico em volta da existência e uso de cada uma delas.

O autor, que foi um renomado especialista em história clássica, traça uma linha do tempo que vai desde as tabuletas de argila da Mesopotâmia até a transição para as bibliotecas monásticas da Idade Média.

Digo "haja bibliotecas!" porque para o contexto do mundo antigo, com a dificuldade para reprodução dos livros, quando era usado o trabalho dos copistas, as que existiam, já eram em número considerável.

Não há um número exato de bibliotecas no mundo antigo, mas existiram dezenas, talvez centenas, desde as primeiras em tábuas de argila na Mesopotâmia, passando por centros icônicos como Alexandria e Pérgamo, até as muitas bibliotecas públicas e imperiais em Roma, com cerca de 13 na época de Augusto, consolidando-se como centros de cultura e poder em diversas civilizações antigas.

Seguem alguns dos principais exemplos e contextos, segundo o autor:

As origens no Oriente Próximo

​O livro começa demonstrando que as primeiras "bibliotecas" não eram centros de lazer, mas arquivos administrativos e reais. As primeiras bibliotecas surgiram na Mesopotâmia (2º milênio a.C.), com coleções de tábuas de argila, como a lendária biblioteca de Assurbanipal em Nínive.​

Tabuletas de argila: na Suméria, Babilônia, os "livros" eram feitos de argila.

Biblioteca de Assurbanípal: Casson destaca a biblioteca do rei assírio em Nínive como o primeiro exemplo de uma coleção organizada sistematicamente, contendo textos literários, religiosos e científicos, além de documentos governamentais.

​A Revolução Grega e o papiro

​Com a introdução do papiro (vinda do Egito) e o florescimento da cultura grega, a leitura deixou de ser apenas uma ferramenta estatal para se tornar parte da educação (paideia) e do lazer. Surgem bibliotecas privadas e Aristóteles é citado como um dos primeiros grandes colecionadores de livros, cuja biblioteca serviu de modelo para o que viria a ser o padrão helenístico.


​Um capítulo central é dedicado a Alexandria. Casson explica como os Ptolomeus buscaram "coletar todos os livros do mundo".Grécia e Helenismo: cidades como Alexandria e Pérgamo abrigavam grandes bibliotecas, famosas por seus vastos acervos de papiros e pergaminhos e por atraírem estudiosos.

Sobre a organização, ele detalha o trabalho dos bibliotecários (como Calímaco), que criaram os primeiros catálogos (Pinakes), estabelecendo métodos de classificação que influenciaram bibliotecas por séculos.

Sobre a concepção de biblioteca da época, esta não era apenas um depósito, mas parte de um centro de pesquisa (o Museion).

Roma: bibliotecas públicas e status

​Os romanos inicialmente adquiriram bibliotecas como espólios de guerra das cidades gregas. A Roma Antiga desenvolveu bibliotecas importantes, como as de Augusto e Trajano, com milhares de rolos e espaços dedicados à leitura, refletindo o apreço pela cultura grega e latina.​

Bibliotecas públicas: Júlio César planejou e Augusto executou a criação de bibliotecas abertas ao público. Em Roma, era comum as bibliotecas terem duas seções: uma para textos em grego e outra para textos em latim.

Arquitetura: Casson descreve como eram os prédios: nichos nas paredes para guardar os rolos (volumina) e espaços para leitura com luz natural.

Havia bibliotecas em outras Localizações como em villas (Vila dos Papiros em Herculano), templos, e até mesmo coleções particulares, mostrando a disseminação do hábito de guardar livros.​

Mudanças tecnológicas: do rolo ao códice

​O autor explica a transição crucial do rolo de papiro para o códice (o formato de livro com páginas encadernadas que usamos hoje). O códice era mais prático para consulta e permitia escrever nos dois lados, além de ser mais durável por usar pergaminho (pele de animal).


​O livro termina mostrando como a ascensão do Cristianismo mudou o foco das bibliotecas. Com o declínio do Império Romano, as grandes bibliotecas públicas desapareceram, e o conhecimento passou a ser preservado quase exclusivamente em mosteiros, onde o foco era o estudo de textos sagrados, mas onde os monges copistas também acabaram salvando muitos textos clássicos da antiguidade.

Embora seja impossível quantificar todas, o mundo antigo foi rico em bibliotecas, que variavam de grandes instituições estatais a coleções privadas, essenciais para a preservação do conhecimento.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Ano XVII de Leitura e contexto

Leitura e contexto entra no ano XVII. São anos de dedicação de escritos, sempre considerando o contexto em que se vive e a leitura que se faz de tudo que é analisado para postagem.

São textos que não apenas informam, mas que também enriquecem a alma e expandem horizontes, sempre com um olhar atento à leitura crítica e ao contexto que a envolve.

​Em um mundo onde a informação superficial e o conteúdo efêmero muitas vezes dominam, "Leitura e Contexto" se estabeleceu como um oásis de reflexão. A cada postagem o blog tem demonstrado um compromisso inabalável com a qualidade e a relevância. Não se trata apenas de ler palavras, mas de compreender as nuances, as entrelinhas, as histórias por trás das histórias.

​A leitura, para "Leitura e contexto", é um ato de descoberta, uma porta para novos universos. O contexto, por sua vez, é a chave que destrava esses universos, permitindo que cada palavra ganhe um significado mais profundo. Seja explorando assuntos técnicos ligados à Biblioteconomia e Arquivologia, seja nas aplicações práticas dessas duas ciências e em tudo que as envolvem. Em algumas postagens há críticas sobre o contexto de algum fato ou evento, conforme a leitura que foi feita. Nas postagens relativas à família e à natureza, o respeito é é em grande dimensão.

​Celebrar o ano XVII de "Leitura e contexto" é celebrar a persistência, a paixão pela palavra escrita e o poder transformador do conhecimento. É reconhecer a importância de espaços que nos convidam a ir além do óbvio, a questionar, a refletir e, acima de tudo, a crescer como indivíduos. Que venham muitos mais anos de leitura e contexto, iluminando caminhos e inspirando mentes!

Brindes lá e cá!

Finalmente brindamos 2025/2026!
Feliz Ano Novo!



2026 começou, vamos escrevê-lo?

Abrir o livro de 2026 e começar a escrevê-lo.

2026 começa como um livro ainda fechado, com páginas em branco esperando coragem, intenção e presença. Não se trata apenas de virar o calendário, mas de assumir a autoria do tempo que vem pela frente. Cada dia é uma linha nova, cada escolha um parágrafo que dá sentido à história.

Escrever 2026 é permitir-se recomeçar com mais consciência, tanto do que merece continuar, como do que precisa ser encerrado e ainda do que a pode nascer. Não é sobre perfeição, mas sobre constância, nem sobre pressa, mas sobre direção.

Que este ano seja escrito com decisões alinhadas, silêncios necessários, aprendizados sinceros e sonhos que saem do rascunho. Que as páginas não sejam apenas preenchidas, mas vividas, porque, ao final, 2026 não será apenas um ano passado, será uma narrativa construída, linha por linha, por cada um de nós.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Leitura: vantagem competitiva


Janeiro está chegando. É o mês das resoluções, mas poucas escolhas são tão transformadoras quanto decidir que este será o ano da leitura. Ler não é apenas um hobby ou uma forma de entretenimento, é um investimento estratégico no seu capital intelectual.

Se você busca se destacar em um mundo saturado de informações superficiais, aqui estão os motivos para você abrir um livro hoje mesmo, porque ler é sua maior vantagem competitiva.
  • Foco e profundidade (Deep Work): em uma era de vídeos curtos e atenção fragmentada, a leitura treina seu cérebro para manter a concentração por longos períodos. Essa é uma habilidade rara e extremamente valorizada no mercado de trabalho atual.
  • Expansão do repertório: leitores conectam pontos que outros não veem. Ao ler, você "empresta" a mente de grandes pensadores, economistas e visionários, adquirindo décadas de experiência em poucas horas de leitura.
  • Redução do estresse e saúde mental: a ciência comprova que apenas seis minutos de leitura podem reduzir os níveis de estresse em até 68%, preparando sua mente para tomar decisões melhores e mais calmas.
  • Domínio da linguagem: quem lê bem, comunica-se melhor. A clareza na escrita e a fluência na oratória são subprodutos diretos do hábito de ler, conferindo autoridade instantânea em qualquer ambiente.
Como começar (e manter) o hábito em 2026? Não tente ler 50 livros no primeiro mês. A consistência vence a intensidade:
  • A regra das 10 páginas: comprometa-se a ler apenas 10 páginas por dia. É um objetivo pequeno demais para falhar.
  • Substitua o "Scroll" pelo livro: troque os 15 minutos de redes sociais antes de dormir ou ao acordar por um capítulo.
  • Diversifique os formatos: se o dia for corrido, utilize audiobooks. O importante é o consumo do conteúdo e a expansão do conhecimento.
Que tal começar agora? Bora ler?


Escolha aquele livro que está na estante pegando pó ou peça uma recomendação. O conhecimento é a única vantagem competitiva que ninguém pode tirar de você.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Fim de ano em arquivos

Ao final de cada exercício anual, o arquivista assume um papel ainda mais estratégico na salvaguarda da informação institucional, atuando de forma preventiva e planejada para garantir que os documentos produzidos ao longo do ano permaneçam íntegros, acessíveis e confiáveis para os anos vindouros.


As atividades de fim de ano iniciam-se, prioritariamente, pela avaliação documental, momento em que se aplica a tabela de temporalidade para identificar documentos que devem ser eliminados, transferidos ou recolhidos para guarda permanente. Essa etapa é fundamental para evitar o acúmulo desnecessário de documentos, otimizar espaços físicos e digitais e assegurar que apenas a informação de valor administrativo, legal, fiscal ou histórico seja preservada.

Outro eixo essencial é a organização e consolidação dos arquivos corrente e intermediário, com a revisão da classificação, da ordenação e da descrição documental. O arquivista verifica a correta aplicação do plano de classificação, ajusta eventuais inconsistências e garante que os documentos estejam devidamente identificados, facilitando a recuperação da informação no futuro.

No contexto digital, o fechamento do ano demanda atenção redobrada à gestão de documentos eletrônicos. O arquivista valida metadados, confere a integridade dos arquivos, revisa políticas de backup e preservação digital e assegura que os sistemas de gestão documental estejam atualizados e em conformidade com normas e legislações vigentes, como aquelas relacionadas à autenticidade, confiabilidade e proteção de dados.

As ações de preservação preventiva também ganham destaque nesse período. Incluem-se a verificação das condições ambientais dos depósitos, a inspeção do estado físico dos documentos, a adoção de medidas contra agentes de deterioração e o planejamento de ações corretivas para o ano seguinte. No caso dos documentos digitais, essa preservação se traduz no monitoramento de formatos, migração tecnológica e mitigação de riscos de obsolescência.

Por fim, o arquivista dedica-se ao planejamento estratégico para o novo ano, elaborando relatórios de gestão, identificando gargalos, propondo melhorias nos fluxos documentais e alinhando as práticas arquivísticas aos objetivos institucionais. Esse planejamento assegura a continuidade das políticas de gestão e preservação da informação, reforçando o papel do arquivo como ativo estratégico e fonte de memória organizacional.

Assim, as atividades de fim de ano do arquivista não representam apenas um encerramento de ciclo, mas um investimento consciente na preservação da informação, garantindo que os registros de hoje permaneçam acessíveis, autênticos e significativos para as gerações futuras.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Fim de ano em bibliotecas

Chegando o fim de ano, a biblioteca intensifica seu papel estratégico na preservação, organização e difusão do conhecimento, atuando de forma sistemática para assegurar que os acervos físicos e digitais permaneçam acessíveis, atualizados e relevantes para os anos vindouros. Nesse contexto, as atividades de fim de ano do bibliotecário assumem caráter técnico, gerencial e prospectivo, fundamentais para a sustentabilidade informacional da instituição.


Uma das principais ações desse período é a avaliação e revisão do acervo, que envolve a análise criteriosa das coleções à luz da política de desenvolvimento de coleções. São identificadas obras desatualizadas, duplicadas ou em mau estado físico, bem como lacunas temáticas que demandarão aquisições futuras. Esse processo contribui para manter um acervo coerente, equilibrado e alinhado às necessidades informacionais dos usuários.

Paralelamente, o bibliotecário promove a organização e a atualização dos registros bibliográficos, revisando a catalogação, a classificação e a indexação das obras. A conferência de dados no sistema, a padronização de pontos de acesso e a correção de inconsistências garantem maior precisão na recuperação da informação e fortalecem a confiabilidade das respostas às demandas da biblioteca.

No âmbito da preservação do acervo, as atividades de fim de ano incluem a inspeção das condições físicas das coleções, a adoção de medidas de conservação preventiva e o planejamento de ações de restauração, quando necessário. Para os recursos digitais, o bibliotecário verifica a integridade dos arquivos, a validade de licenças, o acesso contínuo a bases de dados e a adequação dos formatos, prevenindo perdas informacionais decorrentes de falhas técnicas ou obsolescência tecnológica.

Outro aspecto relevante é a análise do uso da biblioteca, por meio da consolidação de dados estatísticos sobre empréstimos, acessos a bases eletrônicas, frequência de usuários e serviços prestados. Essas informações subsidiam relatórios gerenciais, justificam investimentos e orientam a tomada de decisões para o aprimoramento dos serviços no exercício seguinte.

Finalmente, o encerramento do ano é marcado pelo planejamento estratégico das atividades futuras, contemplando ações de mediação da informação, programas de incentivo à leitura, capacitações de usuários, atualização tecnológica e fortalecimento da biblioteca como espaço de aprendizagem, pesquisa e memória institucional.

Dessa forma, as atividades de fim de ano na biblioteca não se limitam a rotinas administrativas, mas representam um compromisso técnico e social com a preservação do conhecimento, assegurando que a informação organizada hoje permaneça disponível, confiável e significativa para as gerações futuras.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

O Natal está em você!

Neste Natal deixe que ELE chegue e fique para sempre. Receba-o de abraços e coração abertos. 

Que ELE reine no seu lar para todo o sempre!

Feliz Natal para os leitores de Leitura e contexto e todos que ainda serão.

Menino Jesus


sábado, 20 de dezembro de 2025

Mais uma vez imortalizado

Meu pai, Arquiteto José Armando Farias, mais uma vez imortalizado. Desta vez na obra que comemora 60 anos da fundação da então Escola de Arquitetura, em 1964. Imortalizado sob o conceito de "imortalidade cultural e histórica", pois já fez parte da exposição no MAUC, que comemorou esse aniversário e foi citado em vários artigos científicos e livros.

A publicação "De Escola de Arquitetura a Instituto de Arquitetura e Urbanismo e Design" reúne memórias, pesquisas e registros que revisitam a trajetória da Escola e celebra as seis décadas de ensino,  trazendo em uma de suas páginas a foto do meu pai aimda bem jovem,  acompanhada de dados da sua atuação profissional.


Junto com ele outros colegas arquitetos que fizeram parte dessa história, sendo ele o de presença e atuação mais antigas, no entanto que nos deixou mais cedo. Seu legado ficou para a história, sendo objeto de estudo de vários arquitetos da atualidade.






Quando dizemos que alguém foi "imortalizado" através da escrita estamos falando da sua essência, feitos e nome na memória coletiva da humanidade. 

Diferente da tradição oral, que pode se perder ou se transformar drasticamente com o tempo, a obra escrita fixa o indivíduo em um suporte físico ou digital. Quando um profissional é citado em múltiplas obras, ele deixa de ser um indivíduo isolado e passa a ser um ponto de referência dentro de uma área do conhecimento, no caso dele, na Arquitetura.

Se essa obra que cita meu pai sobreviver ao tempo e continuar sendo lida, ele continuará exercendo influência e "existindo" na mente de quem o estuda, muito depois de sua existência física ter cessado e dos anos de seu falecimento.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Colheita do ano

Ano chegando ao fim. Oportunidade para analisar os resultados do período, aquilo que deu certo, o que está se encaminhando para tanto e as ações que precisam de mais tempo para acontecer. Para tanto, uso o recurso da analogia

A analogia é um recurso de linguagem que mostra semelhanças e relações entre coisas diferentes para ilustrar uma ideia ou fazer uma observação explicativa. No meu texto, a analogia é usada para explicar que, assim como um fruto precisa do tempo e das condições certas para amadurecer completamente, as ações e seus resultados na vida exigem um processo semelhante de desenvolvimento e execução para serem considerados "maduros" ou completos.

A analogia que faço é com a safra de acerola desse período que  colhi no meu jardim. Vi que no arbusto havia frutos bem maduros, outros que serão colhidos na próxima vez, alguns ainda verdes, não amadureceram, e flores que ainda vão frutificar. 


Fazendo a leitura e analisando o contexto, podemos ver que muito frutificou. Comparando com o resultado do ano que está se findando, conclui que tive muitas atividades planejadas que foram realizadas, outras que estão prestes a acontecer, outras que serão concretizadas na sua devida época, além de sinais de algo que ainda está  por vir, que floriu, mas falta frutificar.

Que esse ano novo venha carregado de novos frutos para serem colhidos, frutos com qualidade e com sabor de vitória e que tudo seja motivo de aprendizado para uma vida melhor, pessoal e profissional.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Um milhão de caixas de arquivos

Estava no nosso planejamento estratégico atingir um milhão de caixas de documentos arquivísticos até dezembro de 2025. E a meta foi atingida ainda em outubro. 

1.000.000 de caixas de 260 clientes guardadas, endereçadas, gerenciadas e sobretudo indexadas. Qualquer documento nelas existente pode ser localizado de imediato, conforme a solicitação do cliente. 

Uma equipe envolvida e comprometida com a gestão documental, desde a venda, passando pelas questões técnicas que eu respondo, dando apoio a equipe de processamento, até a internalização das caixas na estanteria dos armazéns, para atender com prontidão as solicitações dos nossos clientes, respondendo com maestria a todos os requisitos da Arquivologia, da ISO 9001e da LGPD.

Um milhão de contratos, de notas fiscais, de folhas de pagamento, de atestados de saúde, de movimentos de caixa, de prontuarios médicos, de plantas de projetos, de atas de reuniões, de balanços patrimoniais, de tantos outros documentos, que representam a história das empresas, foram confiados pelos clientes à Mrh Arquivos.

Com orgulho de tudo isso, todos que já vestem diariamente a camisa da Mrh, respondendo às demandas, vestiram literalmente a camisa do milhão, para comemorar essa grande conquista da Mrh Arquivos.


Acesse a matéria Mrh que escrevi sobre essa conquista no blog da Mrh Arquivos: UM MILHÃO DE CAIXAS GUARDADAS!

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Bicentenário de D. Pedro II

Hoje é o dia do bicentenário de nascimento tô do último imperador do Brasil, Pedro II.

D. Pedro II nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de dezembro de 1825, no Palácio de São Cristóvão. Filho do Imperador D. Pedro I e da Imperatriz Leopoldina da Áustria, ficou conhecido como "o Magnânimo", "o Último Imperador do Brasil" e por seu grande apreço por ciência, artes e educação, um verdadeiro intelectual.

Tinha grande interesse pela ciência, artes e idiomas. Falava e lia diversos idiomas, traduzia obras literárias, mantinha correspondência com grandes intelectuais da época e dedicava muitas horas de estudo diário.

Em se tratando da sua função como imperador, o reinado de D. Pedro II, o "Segundo Reinado", foi marcado por estabilidade política e prosperidade, apesar de enfrentar crises como a Guerra do Paraguai

Promoveu a modernização do país e o incentivo às ciências e tecnologias, tendo um laboratório astronômico e se correspondendo com cientistas de todo o mundo, como Alexander Graham Bell.

E trazendo para o contexto socioeducativo e cultural de bibliotecas, livros e leitura, com certeza, se a monarquia tivesse continuado, com a influência de D. Pedro II, teríamos mais de tudo isso, o país seria mais letrado e educado.

Estátua de D. Pedro II, na Praça da Sé, em Fortaleza, Ceará 

Aqui em Fortaleza, o seu bicentenário foi comemorado em sessão solene na Câmara Municipal, com a presença do herdeiro do trono, D. Bertrand de Orléans e Bragança, que recebeu o título de Cidadão de Fortaleza.

No seu primeiro centenário, foi erguida também uma estátua em sua homenagem em frente ao Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, palácio onde nasceu o Imperador.





sábado, 29 de novembro de 2025

Aplicação da IA em bibliotecas

A Inteligência Artificial (IA) está transformando as bibliotecas, otimizando tanto a gestão interna quanto a experiência dos usuários. Longe de substituir o bibliotecário, a IA atua como uma ferramenta poderosa para automatizar tarefas repetitivas e aprimorar o acesso ao conhecimento.

Aplicações da IA

Analisando as atividades comuns de uma biblioteca, vemos que a IA pode ser aplicada em diversas frentes para modernizar e aprimorar os serviços bibliotecários:
  • recomendação e busca personalizada: algoritmos de machine learning analisam o histórico de empréstimos, temas de pesquisa e padrões de navegação dos usuários. Com base nesses dados, sistemas de recomendação inteligentes sugerem títulos, artigos ou recursos que são altamente relevantes para os interesses e lacunas de aprendizado de cada pessoa;
  • automação de tarefas repetitivas: a IA pode automatizar processos administrativos que consomem tempo dos funcionários, liberando-os para se concentrarem em trabalhos mais estratégicos e de contato humano. Exemplos incluem a catalogação e indexação automática de acervos com base em conteúdo e tema, bem como classificar, automaticamente, usando padrões como CDU, CDD ou vocabulários controlados, além da gestão de lembretes de devolução e renovação de empréstimos;
  • atendimento ao usuário: chatbots equipados com Processamento de Linguagem Natural (PLN) podem responder a perguntas frequentes (horários, localização, regras). Esses assistentes podem auxiliar na navegação do acervo e na recuperação de informações, agilizando o primeiro contato e o suporte básico, inclusive oferecendo acessibilidade aprimorada, como leitura automática de textos para pessoas com deficiência;
  • sistemas inteligentes de empréstimo: com recurso de reconhecimento facial ou RFID integrado;
  • curadoria automatizada e personalizada: criando guias de leitura automáticos, sugerindo listas temáticas e acompanhando interesses do usuário ao longo do tempo.

Benefícios da Implementação da IA

Depois de analisar as aplicações da IA, podemos perceber que a integração fortalece o papel da biblioteca na era digital, proporcionando muitos benefícios aos usuários e ao bibliotecário:
  • eficiência operacional com a redução do tempo gasto em tarefas repetitivas, com velocidade e precisão, tornando o trabalho dos bibliotecários mais focado e significativo; 
  • experiência personalizada oferecendo serviços mais relevantes e sob medida para cada usuário, melhorando a satisfação e o engajamento; 
  • acesso ampliado e equitativo, ajudando a tornar os recursos mais pesquisáveis e acessíveis, independentemente de o usuário saber a palavra-chave exata; 
  • capacitação usando a IA para oferecer recursos de treinamento em tecnologia e habilidades digitais à sua comunidade, posicionando-se como centros de educação tecnológica.
Como verificamos, a IA é uma grande oportunidade para as bibliotecas se adaptarem e firmarem ainda mais seu papel na inclusão social, consolidando-se como centros de conhecimento dinâmicos, atuantes e em constante evolução, acompanhando o contexto e a realidade atual. 

Para entendermos melhor essa dinâmica da implantação da IA, é importante conhecer o tal aprendizado de máquina (Machine Learning - ML), lendo a respeito para trazer a compreensão necessária. Um bom começo é explorar o fluxo representado na ilustração abaixo, gerado por IA, com minha tradução das etapas.

Imagem gerada pelo Gemini 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Já sentiu a falta de um documento?

Já sentiu a falta de um documento? Na hora H precisou dele e não localizou? Com certeza teve algum prejuízo com essa falta.

No Blog da Mrh Arquivos, falamos a respeito, acesse e confira!

A Falta que um documento faz



domingo, 16 de novembro de 2025

Sessão solene com Dom Bertrand

Foi na quinta-feira 13/11/2025 a sessão solene na Câmara Municipal de Fortaleza em homenagem ao bicentenário de D. Pedro II. A sessão contou com a presença do representante da Casa Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orléans e Bragança, herdeiro do trono, que recebeu o título de Cidadão de Fortaleza.



Fotos feitas diretamente da tela da TV Câmara

Principais detalhes da sessão

Homenageado: Dom Bertrand de Orléans-Bragança, que é o chefe do ramo Vassouras da Casa de Orléans-Bragança e um dos pretendentes ao extinto trono brasileiro.

Concessão do título: A aprovação ocorreu em 15 de outubro de 2025 pelos vereadores de Fortaleza.

Cerimônia de entrega: A solenidade de entrega do título ocorreu em 13 de novembro de 2025, em comemoração ao bicentenário de Dom Pedro II.

Motivação: A homenagem foi proposta pelo vereador Jorge Pinheiro e busca reconhecer o vínculo histórico e intelectual do príncipe com a cidade, além de celebrar a memória e o legado de Dom Pedro II.

Iniciativa louvável tendo em vista a pessoa que foi o Imperador e todos os feitos por ele realizados, em particular, aqueles que beneficiaram o Ceará:

  • construção da Estrada de Ferro de Baturité;
  • construção do Açude do Cedro, a primeira grande obra hidráulica moderna do continente, iniciada para combater a seca;
  • expedição científica no sertão para estudar as mazelas da região;
  • projeto de iluminação pública de Fortaleza.

sábado, 15 de novembro de 2025

Plebiscito tardio

Plebiscito tardio, é o que considero para aquele que ocorreu em 1993. Aqui, o ditado "Antes tarde do que nunca" não vale. Mas, por que? Exatamente porque a consulta foi tardia, em outro contexto, outras pessoas decidiram em outra época,  em outro século, com novos pensamentos, novos conceitos, nova leitura da sociedade. 

Historiadores são unânimes em considerar um golpe a Proclamação da República. Foi um movimento militar (um golpe de Estado) e não um processo democrático com participação popular. A mudança de regime foi articulada por elites políticas e militares insatisfeitas, sem consulta prévia à população.

O movimento militar foi liderado pelo marechal Manuel Deodoro da Fonsecaculminando em 15 de novembro de 1889 com a destituição do então chefe de Estado, o imperador D. Pedro II, que seguiu para o exílio com toda a família dois dias depois.

O plebiscito sobre a forma de governo (monarquia ou república) poderia ter ocorrido após o golpe, para ratificar a república, ou talvez até refutá-la. Sabe-se lá o que se passava na cabeça do povo daquele século, de repente, se tivesse ocorrido, estaríamos hoje ainda em uma monarquia, com Dom Bertrand de Orléans e Bragança, reinando de fato e de direito a Casa Imperial do Brasil.

Portanto, eu considero um segundo golpe, a falta do plebiscito à época. Mas, já que estamos nessa república há quase um século e meio, que melhore, que seja mais povo e menos interesses escusos.

Penso que uma república é considerada boa quando se baseia em princípios fundamentais como a soberania popular, a gestão da coisa pública para o bem comum e a responsabilidade dos governantes, afinal, República, é "coisa pública."