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domingo, 4 de janeiro de 2026

Escribas e Copistas

Lendo "Bibliotecas no Mundo Antigo", de Lionel Casson, me deparei com os termos escribas e copistas. Embora já conhecesse a diferença de forma mais comum, o livro trouxe a oportunidade de aprofundar a questão. Apesar de serem usados frequentemente como sinônimos, pois ambos representam quem escrevia à mão antes da invenção da imprensa, existe uma distinção sutil, especialmente ligada ao status social e à autonomia de cada função, por isso, apresento as principais diferenças.

Escriba: administrador e intelectual

Escriba na Suméria, cerca de 2.500 A.C

​Na Suméria, os escribas eram a espinha dorsal da civilização. Em uma sociedade que inventou a escrita cuneiforme, para gerenciar a complexa economia de suas cidades-estado, esses profissionais detinham o "superpoder" da época: a alfabetização. 

Eram formados na "Casa das Tábuas" (Eduba) e para se tornar um escriba era um processo longo, caro e rigoroso. Os jovens, geralmente de famílias ricas, frequentavam a Eduba, começavam aprendendo a moldar a argila e a cortar o estilete de cana. Depois, memorizavam milhares de sinais e listas de vocabulário, progredindo para matemática, contabilidade e literatura.

Historicamente, especialmente no Egito Antigo, na Mesopotâmia e na Judeia, o escriba era muito mais do que um "copiador". Ele era um profissional de elite e um funcionário público.
  • ​Função: além de escrever, ele redigia leis, gerenciava impostos, registrava censos, interpretava textos sagrados e atuava como secretário real.
  • ​Poder: possuía grande prestígio social porque dominava a escrita em sociedades onde a maioria era analfabeta.
  • ​Autonomia: no contexto bíblico ou egípcio, o escriba podia ter autoridade para interpretar a lei ou adaptar textos administrativos. Eles eram os "guardiões do conhecimento". 

Copista
: especialista em reprodução

​O copista, apesar de já existir na Antiguidade, é mais comum a partir da Idade Média, como os famosos monges copistas, e a sua função foca, especificamente, no ato de replicar um conteúdo já existente.
Se estamos falando sobre a administração de um império antigo, o correto é usar escriba. Se estamos falando sobre a preservação de livros e a criação de bibliotecas manuais, devemos usar copista.

sábado, 3 de janeiro de 2026

Haja bibliotecas!


Iniciando o ano com a leitura de "Bibliotecas no Mundo Antigo", de Lionel Casson, da Editora Vestígio.


Foi presente de Natal da minha filha e já iniciei a leitura. Além das bibliotecas citadas, há todo um contexto histórico em volta da existência e uso de cada uma delas.


O autor, que foi um renomado especialista em história clássica, traça uma linha do tempo que vai desde as tabuletas de argila da Mesopotâmia até a transição para as bibliotecas monásticas da Idade Média.

Digo "haja bibliotecas!" porque para o contexto do mundo antigo, com a dificuldade para reprodução dos livros, quando era usado o trabalho dos copistas, as que existiam, já eram em número considerável.

Não há um número exato de bibliotecas no mundo antigo, mas existiram dezenas, talvez centenas, desde as primeiras em tábuas de argila na Mesopotâmia, passando por centros icônicos como Alexandria e Pérgamo, até as muitas bibliotecas públicas e imperiais em Roma, com cerca de 13 na época de Augusto, consolidando-se como centros de cultura e poder em diversas civilizações antigas.

Seguem alguns dos principais exemplos e contextos, segundo o autor:

As origens no Oriente Próximo

​O livro começa demonstrando que as primeiras "bibliotecas" não eram centros de lazer, mas arquivos administrativos e reais. As primeiras bibliotecas surgiram na Mesopotâmia (2º milênio a.C.), com coleções de tábuas de argila, como a lendária biblioteca de Assurbanipal em Nínive.​

Tabuletas de argila: na Suméria, Babilônia, os "livros" eram feitos de argila.

Biblioteca de Assurbanípal: Casson destaca a biblioteca do rei assírio em Nínive como o primeiro exemplo de uma coleção organizada sistematicamente, contendo textos literários, religiosos e científicos, além de documentos governamentais.

​A Revolução Grega e o papiro

​Com a introdução do papiro (vinda do Egito) e o florescimento da cultura grega, a leitura deixou de ser apenas uma ferramenta estatal para se tornar parte da educação (paideia) e do lazer. Surgem bibliotecas privadas e Aristóteles é citado como um dos primeiros grandes colecionadores de livros, cuja biblioteca serviu de modelo para o que viria a ser o padrão helenístico.


​Um capítulo central é dedicado a Alexandria. Casson explica como os Ptolomeus buscaram "coletar todos os livros do mundo".Grécia e Helenismo: cidades como Alexandria e Pérgamo abrigavam grandes bibliotecas, famosas por seus vastos acervos de papiros e pergaminhos e por atraírem estudiosos.

Sobre a organização, ele detalha o trabalho dos bibliotecários (como Calímaco), que criaram os primeiros catálogos (Pinakes), estabelecendo métodos de classificação que influenciaram bibliotecas por séculos.

Sobre a concepção de biblioteca da época, esta não era apenas um depósito, mas parte de um centro de pesquisa (o Museion).

Roma: bibliotecas públicas e status

​Os romanos inicialmente adquiriram bibliotecas como espólios de guerra das cidades gregas. A Roma Antiga desenvolveu bibliotecas importantes, como as de Augusto e Trajano, com milhares de rolos e espaços dedicados à leitura, refletindo o apreço pela cultura grega e latina.​

Bibliotecas públicas: Júlio César planejou e Augusto executou a criação de bibliotecas abertas ao público. Em Roma, era comum as bibliotecas terem duas seções: uma para textos em grego e outra para textos em latim.

Arquitetura: Casson descreve como eram os prédios: nichos nas paredes para guardar os rolos (volumina) e espaços para leitura com luz natural.

Havia bibliotecas em outras Localizações como em villas (Vila dos Papiros em Herculano), templos, e até mesmo coleções particulares, mostrando a disseminação do hábito de guardar livros.​

Mudanças tecnológicas: do rolo ao códice

​O autor explica a transição crucial do rolo de papiro para o códice (o formato de livro com páginas encadernadas que usamos hoje). O códice era mais prático para consulta e permitia escrever nos dois lados, além de ser mais durável por usar pergaminho (pele de animal).


​O livro termina mostrando como a ascensão do Cristianismo mudou o foco das bibliotecas. Com o declínio do Império Romano, as grandes bibliotecas públicas desapareceram, e o conhecimento passou a ser preservado quase exclusivamente em mosteiros, onde o foco era o estudo de textos sagrados, mas onde os monges copistas também acabaram salvando muitos textos clássicos da antiguidade.

Embora seja impossível quantificar todas, o mundo antigo foi rico em bibliotecas, que variavam de grandes instituições estatais a coleções privadas, essenciais para a preservação do conhecimento.

quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

2026 começou, vamos escrevê-lo?

Abrir o livro de 2026 e começar a escrevê-lo.

2026 começa como um livro ainda fechado, com páginas em branco esperando coragem, intenção e presença. Não se trata apenas de virar o calendário, mas de assumir a autoria do tempo que vem pela frente. Cada dia é uma linha nova, cada escolha um parágrafo que dá sentido à história.

Escrever 2026 é permitir-se recomeçar com mais consciência, tanto do que merece continuar, como do que precisa ser encerrado e ainda do que a pode nascer. Não é sobre perfeição, mas sobre constância, nem sobre pressa, mas sobre direção.

Que este ano seja escrito com decisões alinhadas, silêncios necessários, aprendizados sinceros e sonhos que saem do rascunho. Que as páginas não sejam apenas preenchidas, mas vividas, porque, ao final, 2026 não será apenas um ano passado, será uma narrativa construída, linha por linha, por cada um de nós.

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Bicentenário de D. Pedro II

Hoje é o dia do bicentenário de nascimento tô do último imperador do Brasil, Pedro II.

D. Pedro II nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de dezembro de 1825, no Palácio de São Cristóvão. Filho do Imperador D. Pedro I e da Imperatriz Leopoldina da Áustria, ficou conhecido como "o Magnânimo", "o Último Imperador do Brasil" e por seu grande apreço por ciência, artes e educação, um verdadeiro intelectual.

Tinha grande interesse pela ciência, artes e idiomas. Falava e lia diversos idiomas, traduzia obras literárias, mantinha correspondência com grandes intelectuais da época e dedicava muitas horas de estudo diário.

Em se tratando da sua função como imperador, o reinado de D. Pedro II, o "Segundo Reinado", foi marcado por estabilidade política e prosperidade, apesar de enfrentar crises como a Guerra do Paraguai

Promoveu a modernização do país e o incentivo às ciências e tecnologias, tendo um laboratório astronômico e se correspondendo com cientistas de todo o mundo, como Alexander Graham Bell.

E trazendo para o contexto socioeducativo e cultural de bibliotecas, livros e leitura, com certeza, se a monarquia tivesse continuado, com a influência de D. Pedro II, teríamos mais de tudo isso, o país seria mais letrado e educado.

Estátua de D. Pedro II, na Praça da Sé, em Fortaleza, Ceará 

Aqui em Fortaleza, o seu bicentenário foi comemorado em sessão solene na Câmara Municipal, com a presença do herdeiro do trono, D. Bertrand de Orléans e Bragança, que recebeu o título de Cidadão de Fortaleza.

No seu primeiro centenário, foi erguida também uma estátua em sua homenagem em frente ao Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, palácio onde nasceu o Imperador.





domingo, 16 de novembro de 2025

Sessão solene com Dom Bertrand

Foi na quinta-feira 13/11/2025 a sessão solene na Câmara Municipal de Fortaleza em homenagem ao bicentenário de D. Pedro II. A sessão contou com a presença do representante da Casa Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orléans e Bragança, herdeiro do trono, que recebeu o título de Cidadão de Fortaleza.



Fotos feitas diretamente da tela da TV Câmara

Principais detalhes da sessão

Homenageado: Dom Bertrand de Orléans-Bragança, que é o chefe do ramo Vassouras da Casa de Orléans-Bragança e um dos pretendentes ao extinto trono brasileiro.

Concessão do título: A aprovação ocorreu em 15 de outubro de 2025 pelos vereadores de Fortaleza.

Cerimônia de entrega: A solenidade de entrega do título ocorreu em 13 de novembro de 2025, em comemoração ao bicentenário de Dom Pedro II.

Motivação: A homenagem foi proposta pelo vereador Jorge Pinheiro e busca reconhecer o vínculo histórico e intelectual do príncipe com a cidade, além de celebrar a memória e o legado de Dom Pedro II.

Iniciativa louvável tendo em vista a pessoa que foi o Imperador e todos os feitos por ele realizados, em particular, aqueles que beneficiaram o Ceará:

  • construção da Estrada de Ferro de Baturité;
  • construção do Açude do Cedro, a primeira grande obra hidráulica moderna do continente, iniciada para combater a seca;
  • expedição científica no sertão para estudar as mazelas da região;
  • projeto de iluminação pública de Fortaleza.

sábado, 15 de novembro de 2025

Plebiscito tardio

Plebiscito tardio, é o que considero para aquele que ocorreu em 1993. Aqui, o ditado "Antes tarde do que nunca" não vale. Mas, por que? Exatamente porque a consulta foi tardia, em outro contexto, outras pessoas decidiram em outra época,  em outro século, com novos pensamentos, novos conceitos, nova leitura da sociedade. 

Historiadores são unânimes em considerar um golpe a Proclamação da República. Foi um movimento militar (um golpe de Estado) e não um processo democrático com participação popular. A mudança de regime foi articulada por elites políticas e militares insatisfeitas, sem consulta prévia à população.

O movimento militar foi liderado pelo marechal Manuel Deodoro da Fonsecaculminando em 15 de novembro de 1889 com a destituição do então chefe de Estado, o imperador D. Pedro II, que seguiu para o exílio com toda a família dois dias depois.

O plebiscito sobre a forma de governo (monarquia ou república) poderia ter ocorrido após o golpe, para ratificar a república, ou talvez até refutá-la. Sabe-se lá o que se passava na cabeça do povo daquele século, de repente, se tivesse ocorrido, estaríamos hoje ainda em uma monarquia, com Dom Bertrand de Orléans e Bragança, reinando de fato e de direito a Casa Imperial do Brasil.

Portanto, eu considero um segundo golpe, a falta do plebiscito à época. Mas, já que estamos nessa república há quase um século e meio, que melhore, que seja mais povo e menos interesses escusos.

Penso que uma república é considerada boa quando se baseia em princípios fundamentais como a soberania popular, a gestão da coisa pública para o bem comum e a responsabilidade dos governantes, afinal, República, é "coisa pública." 

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

A Narrativa dos documentos antigos

Os documentos antigos são muito mais do que meros registros burocráticos do passado, eles são cápsulas do tempo, guardando a essência e a história de vidas e fatos que nos precederam.

Viagem no tempo

Ter a possibilidade de acessar um documento como essa carteira de identidade de alguém que nasceu em 1886 é realizar uma viagem instantânea a um período passado, transportando-nos para o Brasil do fim do século XIX, período ainda anterior à Abolição da Escravatura e à Proclamação da República no Brasil.



Apesar de a carteira ter sido emitida já no século XX, na década de 40, não deixa de ser curiosa. Cada marca existente, o tipo de papel, a caligrafia utilizada ou até mesmo o desgaste natural do tempo em uma peça como essa carteira, evoca não apenas a memória de um indivíduo, mas também o contexto social, político e tecnológico da sua época, quando o Brasil ainda era Estados Unidos do Brasil. O próprio estilo e o formato do documento refletem as normas de identificação de então, que eram muito diferentes das que conhecemos hoje. Apesar dos avanços tecnológicos, eu diria até que essa carteira é mais requintada e elegante do que o modelo de hoje.

A titular da carteira

No caso, a titular da carteira é uma tia minha, irmã do meu avó materno, que viveu bem mais que ele, a Tia Melinha, assim chamada pela minha mãe e seus irmãos. Todos da minha geração, eu e meus primos, passamos também a adotar essa forma carinhosa, inclusive, dizem que pareço muito com ela. 

Minha tia foi mulher empreendedora, proprietária de hotel em cidade de águas termais, no interior de Pernambuco, que para o contexto da época era um feito muito avançado. Em visitas a Recife, ela já idosa, tive a oportunidade de ouvir suas histórias.

O Legado de nossos ancestrais

Ao olhar atentamente para os dados inscritos no interior da carteira, reside a memória pessoal dela, o nome, a data de nascimento e, claro, a fotografia, vemos a vida de um ancestral que se materializa. De repente, não estamos apenas lendo um registro, mas sim conhecendo sinais de uma existência. Daí vêm as indagações e curiosidades: Como era viver nessas décadas? Como era o seu dia a dia? Quais os acontecimentos da época? Quais eram os desafios de ser uma cidadã, primeiro do Brasil Imperial, depois da Primeira República?

O material da capa, uma espécie de couro, ainda muito bem conservada, o estilo da tipografia, as letras douradas e o aspecto das fotografias, uma frontal e outra de perfil (esta já bem apagada) são pistas visuais que ajudam a nos transportar para a época.

Esse documento conta parte da história da minha linhagem familiar. Ele é a prova física da jornada de um dos meus antepassados, revelando as etapas que pavimentaram e fizeram parte do meu presente. Ao preservar e estudar essas relíquias, honramos não apenas as memórias individuais, mas também a grande narrativa coletiva das nossas famílias e da sociedade em que as pessoas viveram.

O Sistema Vucetich

Além de o documento ser uma prova material da vida de um ancestral, carrega uma narrativa maior sobre o desenvolvimento da ciência forense e da cidadania no país. É um portal que nos leva diretamente à história de como o Brasil começou a identificar seus cidadãos.

Analisando a capa da Carteira de Identidade e pesquisando sobre a inscrição "Gabinete de Identificação (Sistema Vucetich)", passei a conhecer sobre o Sistema Datiloscópico de Vucetich, criado por Juan Vucetich Kovacevich e adotado oficialmente no Brasil em 1903.

Um documento como este nos convida a ir além da simples data de nascimento ou nome do portador. Ele nos força a fazer a leitura e refletir sobre o contexto de sua emissão, entendendo o que era necessário para um indivíduo ser reconhecido oficialmente.

Essa menção ao Sistema Vucetich é a parte mais fascinante. O ano de 1886, ano do nascimento da minha tia, é significativo, pois antecede a adoção oficial desse método no Brasil, que se deu em 1903 no Rio de Janeiro. Isso nos mostra:
  • Pioneirismo científico: Essa carteira pertence a uma fase em que o Brasil estava se modernizando, abandonando métodos rudimentares de identificação (como o "assinalamento sucinto" ou o Bertillonage) e adotando a Datiloscopia (identificação por impressões digitais), desenvolvida por Juan Vucetich. Essa ciência permitiu, pela primeira vez na história, uma forma precisa e inequívoca de individualizar cada pessoa;
  • A Era das impressões digitais: O documento é um testemunho da transição para um sistema onde a identidade de um cidadão passou a ser gravada nos sulcos de seus próprios dedos. Ele simboliza a busca por ordem e segurança em um país que crescia e precisava registrar de forma permanente sua população.

Pernambuco

A inscrição "Secretaria da Segurança Pública" e o brasão de "Brasil Pernambuco" fixam a identidade do portador dentro de um contexto regional específico. O Gabinete de Identificação de Pernambuco é, na verdade, o antecessor do atual Instituto de Identificação Tavares Buril (IITB), que foi criado em 1909. Pernambuco, estado de nascimento da minha tia, foi a quarta unidade da federação a adotar a datiloscopia como sistema de identificação.

Olhar arquivístico

Se atentarmos com o olhar arquivístico identificamos os princípios da proveniência e da organicidade na relação dessa carteira com os demais itens do fundo arquivístico da família Cavalcanti. Considerando os apectos históricos e sociais externos, o documento é, portanto, um elo tangível com as instituições que moldaram a vida cívica e, muitas vezes, criminal do estado. 

Em uma análise mais territorial, ele evoca a atmosfera da época, os edifícios e os funcionários que trabalhavam para registrar e catalogar a população em um período de profundas mudanças sociais e urbanas.

Documentos arquivísticos pessoais servem para comprovar a existência, direitos e ações de um indivíduo, além de possuírem um grande valor para a memória, pois contam a história pessoal e familiar, que pode ser compartilhada com gerações futuras.

Registro para a posteridade

Guardar essa carteira não é apenas guardar um objeto, é preservar uma narrativa em três níveis: a história da sua família, a história do Estado de Pernambuco e a história da ciência de identificação no Brasil.

Mais do que trazer informações, portanto, um documento dessa época é uma evidência que nos convida a sermos guardiões da história, assegurando que as vozes e as experiências dos que vieram antes de nós nunca sejam esquecidas.

domingo, 31 de agosto de 2025

Subindo e descendo ladeiras em Ouro Preto

Em Ouro Preto é assim, estamos sempre descendo e subindo ladeiras nas ruas históricas, com pavimentação preservada na sua forma original.

As ladeiras íngremes são devido à sua localização no topo de uma cadeia de montanhas e ao terreno acidentado do local onde foi construída. A cidade surgiu na era colonial para explorar o ouro, o que levou à ocupação de um terreno montanhoso e de difícil acesso.




Além das ladeiras características, há as edificações coloniais, sobrados na sua maioria, coloridas com a utilização dos materiais, técnicas e recursos naturais, e ainda o conhecimento dos artesãos e artistas da época.




As lojinhas, com suas placas artesanais, dão um ar ainda mais característico para as ruas.




Ouro Preto é o resultado de um processo coletivo de povoamento e exploração, impulsionado pela descoberta do ouro. E andar por essas ruas mineiras de outrora é uma aventura inigualável. Amei de coração!❣

terça-feira, 26 de agosto de 2025

Uma mina de verdade!

Visitanos a Mina do Veloso em Ouro Preto. Uma mina de verdade!

As minas em Ouro Preto são atrações turísticas que permitem explorar o passado da mineração de ouro na região. 

Entrando na mina, acompanhadas de um guia, foi possível conhecer a formação da mina a partir da genialidade africanas, as técnicas de extração, as condições de trabalho dos escravizados e a geologia da mina, que oferece um ambiente subterrâneo, frio e úmido, com galerias e poços.


Fui acompanhada da minha filha, que me auxiliou no trajeto, principalmente nos trechos mais rebaixados, estreitos e de desníveis.







domingo, 24 de agosto de 2025

História e cultura em toneladas

Ouro Preto, uma mina de história e cultura, além de muitos aspectos peculiares, que enriquecem ainda mais a cidade que é uma joia do Brasil Colonial e um Patrimônio Cultural da Humanidade.


Foi uma viagem e tanto! Ainda mais na companhia da minha filhota. Aproveitamos ao máximo todo o ouro dessa mina de conhecimento. 

Literalmente, é uma cidade rica em ouro, lingotes no passado e história e cultura em toneladas no presente e para a posteridade, haja vista o tombamento pela Unesco.

Um passeio à bordo de uma jardineira possibilitou uma visão panorâmica e até detalhada dessa Cidade cheia de muitos encantos, ladeiras, arquitetura colonial e igrejas. Uma maravilha!



A exuberência do Barroco em Ouro Preto é manifestada nas igrejas do século XVIII com altares dourados, talha em madeira e pinturas em perspectiva no teto, como vemos na Igreja de Nossa Senhora da Conceição, Basílica de Nossa Senhora do Pilar, Igreja de São Francisco de Assis e Igreja de Santa Efigênia.




 




Toda essa riqueza de detalhes, que se apresenta na integração da arquitetura com a escultura e a pintura, emociona tanto os fiéis, que celebram a fé católica como os turistas que visitam a cidade, sistematicamente.