sábado, 8 de dezembro de 2012

A Hóspede é o leitor


A Hóspede 
Guilherme de Almeida



Não precisa bater quando chegares.
Toma a chave de ferro que encontrares
sobre o pilar, ao lado da cancela,
e abre com ela
a porta baixa, antiga e silenciosa.

Entra.
Aí tens a poltrona, o livro, a rosa,
o cântaro de barro e o pão de trigo.

O cão amigo
pousará nos teus joelhos a cabeça.
Deixa que a noite, vagarosa, desça.
Cheiram a relva e sol, na arca e nos quartos,
os linhos fartos,
e cheira a lar o azeite da candeia.

Dorme. Sonha. Desperta. Da colmeia 
nasce a manhã de mel contra a janela.
Fecha a cancela e vai.
Há sol nos frutos dos pomares.

Não olhes para trás quando tomares
o caminho sonâmbulo que desce.
Caminha - e esquece.



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Tomo a poesia do grandioso Guilherme de Almeida para fazer uma analogia a partir de uma nova leitura, compatível com o meu contexto, na certeza de que, amante e praticante da cultura, arte, literatura e inovação como ele era, se vivo estivesse, não ficaria aborrecido.



A casa de que ele fala é a biblioteca, sempre aberta ao seu público.

A hóspede é o leitor, que entra e sai a qualquer hora, afinal, a cada tempo que se instala na Biblioteca, usufrui de suas instalações, do seu mobiliário e dos recursos nela existentes.

A chave é o acesso, seja ele por identificação pessoal, eletrônica ou por qualquer outro meio.

Os utensílios da casa, o alimento e, principalmente, o livro, são o acervo e todos os demais recursos informacionais, disponíveis para os leitores.

O cão amigo é o bibliotecário que recepciona o leitor para atender as suas demandas. 

O cheiro é a própria ambiência da biblioteca, incluindo-se, além do odor característico dos livros, a fragrância das pessoas.

O repouso, a dormida e o sonho são a concentração, a leitura e toda a aventura vivida durante este percurso.

O despertar é a hora de partir, de deixar a biblioteca.

O amanhecer com o sol e toda a sua riqueza e força é a bagagem que o leitor carrega, fruto da leitura e de sua passagem pela biblioteca. 

Não olhar para trás significa que ele não é mais o mesmo, depois das informações e do conhecimento adquiridos, advindos da leitura.

Para conhecer mais sobre o poeta. (Futura/Mackenzie)




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