domingo, 14 de junho de 2026

Leitura, sempre leitura!

Leitura, sempre leitura!  porque "O livro é uma extensão da memória e da imaginação" (Jorge Luis Borges).


Nesta famosa frase, proferida em sua aula sobre O Livro, em 1978, na Universidade de Belgrano (Buenos Aires, Argentina), o escritor argentino Jorge Luis Borges compara o livro a outras invenções humanas para destacar a sua singularidade. Somente ele consegue transcender o tempo e o espaço, permitindo que a nossa mente viaje por realidades que só existem porque foram escritas e depois lidas.

Lembro dessa citação quando ainda estava nos bancos acadêmicos da Biblioteconomia, na Universidade Federal do Ceará (UFC) cursando a disciplina de História do Livro e das Bibliotecas, com o Prof. Pedro Alberto de Oliveira Silva, nos idos dos anos 80. Lembro que ele trazia bem "mastigado" o que a frase representava e eu ficava maravilhada com tudo aquilo. 

Em outras palavras, ele discursava que, como extensão da memória, os livros funcionam como grandes repositórios do conhecimento humano, preservando experiências, pensamentos e acontecimentos de diferentes épocas. E que graças a eles, podemos conhecer as reflexões de filósofos da Antiguidade, os relatos de exploradores ou as descobertas de cientistas que viveram há centenas de anos. Já como extensão da imaginação, entende-se que cada leitor dá vida própria às narrativas, criando cenários, vozes e emoções em sua mente. Ao acompanhar uma aventura, imaginar uma cidade futurista ou visualizar personagens de um romance, o leitor participa ativamente da construção da obra, tornando a experiência única e pessoal.

E o quiosque central da Livraria Leitura, no Piso L1 do Shopping Iguatemi Bosque, que traz essa icônica frase, motivo desse post, é um convite para entrar, folhear e comprar livros a preços módicos.

E hoje, 14/06, coincidentemente, lembramos os 40 anos do seu falecimento, e homenageamos toda a sua trajetória e legado.



terça-feira, 9 de junho de 2026

O Arquivo está na mídia!

O Dia Internacional dos Arquivos é celebrado anualmente em 9 de junho. A data que vai muito além de uma simples comemoração, ela serve para nos lembrar de que os arquivos são a base da nossa memória coletiva, da Governança corporativa, da transparência pública e da garantia dos nossos direitos como cidadãos. É saber que muitos destinos e soluções dependem desses acervos, sejam eles públicos ou privados, físicos os digitais.

​A data não surgiu por acaso, ela faz referência direta à criação do Conselho Internacional de Arquivos (ICA), fundado sob os auspícios da UNESCO em 9 de junho de 1948.


​No entanto, a criação de um dia internacional específico para celebrar a causa só foi instituída oficialmente em novembro de 2007, durante a Assembleia Geral do ICA no Quebec, passando a ser comemorada globalmente a partir de 2008.

​Muitas vezes, quem é leigo no assunto pensa em arquivos como caixas empoeiradas, depositadas em subsolos desabitados, portanto, em algo sem importância, desvalorizado. Mas a arquivística moderna, que não é de agora, lida com preservação histórica, acesso rápido à informação e com dados digitais. Diante disso, faz-se necessário esclarecer a importância dos arquivos para esse público. Podemos citar três papéis fundamentais na sociedade: 
​E se os arquivos servem à sociedade, antes de tudo servem à própria instituição a que eles pertencem, auxiliando na tomada de decisão, servindo de prova documental e resguardando a memória.

Por conta da riqueza do tema, o Conselho Internacional de Arquivos e diversas instituições pelo mundo (como o Arquivo Nacional no Brasil e a Torre do Tombo em Portugal) costumam estender as comemorações por uma semana inteira, promovendo palestras, exposições virtuais, workshops e abertura de acervos ao público. O Arquivo está na mídia!

​No ambiente digital de hoje, o maior desafio dos arquivos é a preservação digital a longo prazo, para garantir que os arquivos gerados hoje em computadores e redes sociais ainda possam ser abertos e lidos pelas próximas gerações.

sábado, 6 de junho de 2026

Anotações em livros ou marginália

Sabe quando você está lendo um livro e não aguenta a emoção, aí vai lá e escreve algo do lado do parágrafo? Ou quando puxa uma seta para anotar o significado de uma palavra difícil? Ou ainda quando grifa trechos que achou interessante? 


Tecnicamente, essas anotações são chamadas de margináliaMarginália é o conjunto de anotações / marcações que um leitor faz nas margens, espaços em branco ou folhas de guarda de um livro impresso ou manuscrito. Funciona como uma "coautoria silenciosa", um diálogo ativo onde o leitor registra pensamentos, críticas ou reações ao texto. Essas marcações vão desde notas e comentários, concordando ou discordando do autor, passando por desenhos, sejam ilustrações sérias ou mesmo desenhos aleatórios feitos por puro tédio na hora da leitura, rabiscos, até sinais gráficos como estrelas, pontos de interrogação, exclamações ou o clássico ato de grifar o texto.

Enquanto a marginália é qualquer rastro que o leitor deixa no papel, a glosa nasceu como uma ferramenta de estudo para tornar um texto compreensível. Sem as glosas dos estudiosos do passado, muito comuns em textos antigos e livros medievais e renascentistas, teriam se tornado completamente ilegíveis para nós hoje.

​Para alguns leitores mais puristas, riscar um livro é quase um crime. No entanto, para historiadores e literatos, a marginália é uma mina de ouro. Pode revelar o processo intelectual de leitores famosos ou fornecer contexto histórico sobre como uma obra foi recebida

Se atentarmos para o fato, é muito comum, dizermos que um livro imaculado é apenas um produto, já um livro anotado é uma memória viva. Claro que estou falando de livros pessoais. Anotações em livros de biblioteca ou livros emprestados por alguém, nem pensar, pois já se trata de vandalismo.

A marginália transforma o livro de um objeto de consumo passivo em um registro de um diálogo entre o autor e o leitor. Funciona como pontes que ignoram a cronologia, são atemporais, porque as anotações são do tempo de quem leu a obra, por isso podem se tornar preciosas no futuro. Quando feitas por alguma personalidade do passado e descobertas depois de tempos, com certeza serão motivo de pesquisa ou pelo menos conseguimos entender o que a pessoa daquela época pensava e como a sociedade absorvia aquela obra. Sabemos que algumas marginálias se tornaram documentos históricos.
Dentre os escritores brasileiros, podemos citar a marginália de Machado de Assis. É tão importante que, anos após sua morte, pesquisadores e críticos literários publicaram estudos inteiros baseados apenas no que ele escreveu nas bordas dos livros. Um diálogo íntimo, silencioso e anotado a lápis com os maiores clássicos da literatura mundial.

​Em resumo, a marginália é a prova física de que a leitura é um ato vivo. É a pegada que o leitor deixa na neve do texto do autor, é a forma física de registrar o pensamento do leitor, um grafite pessoal e, muitas vezes, intelectual, que habita os limites do texto impresso.
Você é do time que mantém seus livros impecáveis ou do time que adora deixar suas próprias marginálias neles?

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Estantes bangunçadas, usuários satisfeitos!

Acesso livre às estantes é um problema nas bibliotecas? Jamais!

O acesso livre às estantes é a oportunidade que os usuários têm do contato direto com as obras para que possam fazer suas escolhas mais acertadas. É a autonomia que eles precisam para resolver suas demandas informacionais. É a liberdade que necessária para que a biblioteca atraia novos leitores.

O que acontece geralmente é quase um ritual. Ele pega um livro, dá uma lida lá na estante mesmo, se interessa, acha por bem sentar para ler mais profundamente. Daí conclui que não era bem isso que queria, retorna às estantes, coloca em qualquer lugar e assim, as obras vão andando, se deslocando, porque já vem outro em seguida e tem o mesmo comportamento. 

É nessa hora que as ciências se encontram e se abraçam de qualquer jeito, mesmo uma não tendo nada a ver com a outra. O Dewey quase infarta! Livro de sociologia indo parar nas finanças, livro de tecnologia na literatura, livro de marketing na psicologia aplicada e assim por diante... 

Imagem criada por IA a partir do trecho acima

Mas, estantes bagunçadas é sinal de usuários satisfeitos. O problema ocorre quando precisamos localizar uma publicação que ganhou pernas e foi parar, sabe-se lá onde.

Mesmo com a orientação para não colocarem de volta às estantes os livros manuseados/retirados, eles ainda o fazem. E é por isso que mantemos a rotina de revisar a organização dos livros nas estantes conforme a Classificação Decimal Dewey (CDD). O bibliotecário norte-americano de quem falei acima é o idealizador desse sistema que põe ordem ao caos nas bibliotecas.

E, trazendo para a minha realidade de trabalho, é nessa hora que conto com o trabalho primoroso e dedicado do estagiário de Biblioteconomia, Alexsander Lima, da Biblioteca Francisco Freitas Cordeiro, da Faculdade CDL, da qual sou a bibliotecária responsável. Ele simplesmente, em poucos dias, colocou a ordem no caos. Além de obedecer rigorosamente à classificação, colocou a ordem nos exemplares da mesma obra e os alinhou nas prateleiras.

E agora as estantes estão prontas para serem novamente mexidas, porque o que vale é o movimento, é o folhear, é a curiosidade, mesmo que não seja dessa vez a conquista. De uma forma ou de outra o leitor volta e aí nessa hora é fisgado pelo que realmente lhe interessa.  

Mas, por prudência, ficaremos sempre de olho 👁 para não deixar o caos retornar.

Este texto foi incentivado pela postagem no LinkedIn de Daniel Strauch e pela tarefa executada por Alexsander Lima, na Biblioteca da Faculdade CDL.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

Pedagogia de hoje em dia

O Dia Nacional do Pedagogo é comemorado em 20 de maio, data instituída pela Lei nº 13.083/2015 para homenagear os profissionais que atuam na educação, coordenando, planejando e avaliando processos de aprendizagem em diversos contextos, como escolas, hospitais e ONGs, focando no desenvolvimento integral de crianças, jovens e adultos, valorizando o ensino e a formação.

A pedagogia contemporânea atravessa uma transformação significativa, impulsionada pela necessidade de se adaptar a um mundo em constante evolução. Diferente dos modelos tradicionais, a abordagem atual desloca o eixo do ensino para o aluno como protagonista, fundamentando-se na ideia de que o conhecimento é construído por meio da interação e da criticidade, conceitos herdados de pensadores como Piaget e Vygotsky.

​Nesse cenário, a integração de tecnologias digitais e o ensino híbrido deixaram de ser recursos acessórios para se tornarem pilares metodológicos. Ferramentas como inteligência artificial, realidade aumentada e plataformas de aprendizado personalizado permitem que o professor atue não mais como o único detentor do saber, mas como um facilitador. Essa mediação é essencial na aplicação de metodologias ativas, como a Sala de Aula Invertida e a Aprendizagem Baseada em Projetos (ABP), que estimulam a resolução de problemas reais e o engajamento prático.

Aliado ao uso da tecnologia, o reconhecimento da individualidade do estudante ganha força por meio da personalização e flexibilização do ensino. Ao compreender que cada aluno possui um ritmo e estilo de aprendizagem único, a escola moderna busca uma educação inclusiva e diversa. Isso implica não apenas no uso de tecnologia assistiva para alunos com necessidades especiais, mas na promoção de um ambiente que supere exclusões sociais, étnico-raciais e culturais, garantindo que o direito ao saber seja equânime.

Sala de aula didática interativa

Contudo, a formação do indivíduo hoje ultrapassa o conteúdo curricular estritamente acadêmico. Há um foco crescente no desenvolvimento socioemocional e integral, priorizando competências como empatia, resiliência e trabalho em equipe. Tais habilidades são vistas como fundamentais para que o cidadão consiga lidar com os dilemas complexos da atualidade, como o excesso de informação e o estresse da automação, preparando-o para uma atuação crítica e equilibrada na sociedade.

​Consequentemente, essa nova realidade redefine o papel do pedagogo, cuja atuação se expande para além dos muros escolares. Se no ambiente escolar ele é o articulador que organiza as práticas pedagógicas e coordena processos educativos, em espaços não escolares, como hospitais, empresas, e ONGs, ele se torna um gestor do conhecimento e do desenvolvimento humano. 

O pedagogo moderno é um agente de transformação social, essencial para sistematizar e produzir conhecimentos que dialoguem com as mudanças de valores e os desafios de um futuro em constante construção.

E eu saúdo a minha mãe, pedagoga, arte-educadora e teóloga, que apesar de ter 95 anos, quase 96, atuou brilhantemente na Escolinha O Cogumelo, dirigindo-a por mais de 20 anos, sempre à frente dos tempos com técnicas e métodos educacionais.

domingo, 17 de maio de 2026

Balcão de biblioteca

O que pode existir de comunicação em um balcão de biblioteca? Eu respondo: tudo e mais alguma coisa, perguntas, dúvidas, justificativas, histórias, lamúrias, apresentações, opiniões, discussões, conquistas, decepções, desculpas, coisas desse tipo e muito mais. São sentimentos revelados e fatos relatados.

No trabalho de referência do bibliotecário, além da tarefa em si de ouvir, mediar, Interpretar, buscar e atender às necessidades informacionais dos usuários, cabe também a escuta geral. Como coloquei antes, são assuntos pessoais de todas as esferas, assuntos do dia a dia, do que está acontecendo na sociedade e no mundo. Esses assuntos, na maioria das vezes, passam longe do cerne da atividade, mas, como têm a ver com o usuário, vamos a eles, precisamos ouvi-los e atendê-los, afinal, estamos a postos para o que der e vier.

Mas, voltando ao balcão de biblioteca, é por intermédio dele que muitas vezes a atividade de referência se inicia e acontece. E também por muitas vezes torna-se difícil por conta da falta de precisão e até de comunicação certeira do usuário. Se por um lado ele é falante e espontâneo em relação a outros assuntos, na hora de explicar a que veio é tímido, não tem clareza e até acha que temos uma bola de cristalMas, são os ossos do ofício, cabe ao bibliotecário, com suas técnicas e recursos, decifrar essa demanda.

Não é incomum nas conversas entre bibliotecários ouvirmos como alguns usuários se expressam para demonstrar seus interesses. Podemos citar algumas dessas passagens:

  • quero o livro do professor da sexta-feira;
  • desejo aquele livro bem grosso e amarelo;
  • você tem um livro que tem o conteúdo do questionário que o professor passou para responder?
  • Preciso do livro que o autor compara dois conceitos daquele assunto, daquela disciplina;
  • vou elaborar um artigo, você tem um livro que fale de xxxxxxxx xxxxxx xx xxxxxx xxxxxxxxxx xxxxx ?  (exatamente o título do artigo)
É uma "perturbação" por conta da dependência, da certeza de que vamos solucionar a questão. Mas, em todo contato desse tipo é uma oportunidade de irmos educando para a autonomia junto ao acervo e aos serviços bibliotecários em geral, afinal, estamos ali para isso, hiper super bibliotecários na solução de problemas e o balcão de biblioteca facilitando tudo isso.

domingo, 10 de maio de 2026

Mimo para a mãe

Uma delicadeza com carinho para o Dia das Mães, na Mrh Arquivos e na Faculdade CDL.


domingo, 3 de maio de 2026

Livros nunca são demais

Livros nunca são demais, enriquecem,  complementam e embelezam o ambiente, proporcionando a oportunidade de ampliar o conhecimento.


Na Iceland, depois de uma saborosa pizza e um delicioso gelado, uma leitura para alimentar também a mente.