Encontrei em Bibliotecas no Mundo do Antigo, de Lionel Casson, uma curiosidade em relação à palavra ostracismo.
Hoje, quando dizemos que alguém caiu no ostracismo, nos referimos ao isolamento, ao esquecimento ou ao afastamento social e profissional de uma pessoa. Mas eu não sabia que esse termo nasceu literalmente no "lixo" da Grécia Antiga. Explico.
Como o papel como conhecemos hoje não existia na época, para anotações diárias, rascunhos e recados rápidos, o papel de rascunho dos atenienses eram fragmentos descartados de cerâmica quebrada, peças de argila chamadas de ostraka, em que escreviam na superfície com objetos pontiagudos ou escreviam com pena e tinta.
Mas, de cacos de cerâmica chegaram ao exílio político, isso porque, além de servir como rascunho, esses pedaços de cerâmica tinham uma função política fundamental na democracia ateniense: a votação para o exílio.
Quando a assembleia entendia que determinado cidadão representava uma ameaça à estabilidade da cidade ou à democracia, era convocada uma votação. Cada eleitor pegava uma ostraka e riscava nela o nome da pessoa de quem queriam se livrar.
Se a maioria votasse contra essa pessoa, ela era enviada para o exílio por um período de dez anos.
Daí o legado do termo foi exatamente por conta do suporte usado para registrar o voto, a ostraka, que essa prática de banimento passou a ser chamada de ostracismo.
Assim, o termo que hoje associamos ao isolamento e ao esquecimento começou, na verdade, com o hábito de reaproveitar cacos de cerâmica para decidir o destino político de Atenas.
É exatamente o que Casson (2018) traz na página 36, conforme abaixo.
O seu papel de rascunho eram pedaços descartados de cerâmica quebrada que eles riscavam com um objeto pontiagudo; também escreviam sobre ele usando pena e tinta. A palavra grega para esses blocos era ostraka, o ostracismo – prática inventada pelos atenienses pela qual os cidadãos votavam entre si na pessoa de quem queriam se livrar e, em seguida, a enviavam para o exílio –, que era assim chamado porque os eleitores riscavam o nome de seu candidato na ostraka.
CASSON, Lionel. Bibliotecas no mundo antigo. Tradução de Cristina Antunes. Belo Horizonte: Vestígio, 2018. 208 p.







