quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Leitura: vantagem competitiva


Janeiro está chegando. É o mês das resoluções, mas poucas escolhas são tão transformadoras quanto decidir que este será o ano da leitura. Ler não é apenas um hobby ou uma forma de entretenimento, é um investimento estratégico no seu capital intelectual.

Se você busca se destacar em um mundo saturado de informações superficiais, aqui estão os motivos para você abrir um livro hoje mesmo, porque ler é sua maior vantagem competitiva.
  • Foco e profundidade (Deep Work): em uma era de vídeos curtos e atenção fragmentada, a leitura treina seu cérebro para manter a concentração por longos períodos. Essa é uma habilidade rara e extremamente valorizada no mercado de trabalho atual.
  • Expansão do repertório: leitores conectam pontos que outros não veem. Ao ler, você "empresta" a mente de grandes pensadores, economistas e visionários, adquirindo décadas de experiência em poucas horas de leitura.
  • Redução do estresse e saúde mental: a ciência comprova que apenas seis minutos de leitura podem reduzir os níveis de estresse em até 68%, preparando sua mente para tomar decisões melhores e mais calmas.
  • Domínio da linguagem: quem lê bem, comunica-se melhor. A clareza na escrita e a fluência na oratória são subprodutos diretos do hábito de ler, conferindo autoridade instantânea em qualquer ambiente.
Como começar (e manter) o hábito em 2026? Não tente ler 50 livros no primeiro mês. A consistência vence a intensidade:
  • A regra das 10 páginas: comprometa-se a ler apenas 10 páginas por dia. É um objetivo pequeno demais para falhar.
  • Substitua o "Scroll" pelo livro: troque os 15 minutos de redes sociais antes de dormir ou ao acordar por um capítulo.
  • Diversifique os formatos: se o dia for corrido, utilize audiobooks. O importante é o consumo do conteúdo e a expansão do conhecimento.
Que tal começar agora? Bora ler?


Escolha aquele livro que está na estante pegando pó ou peça uma recomendação. O conhecimento é a única vantagem competitiva que ninguém pode tirar de você.

domingo, 28 de dezembro de 2025

Fim de ano em arquivos

Ao final de cada exercício anual, o arquivista assume um papel ainda mais estratégico na salvaguarda da informação institucional, atuando de forma preventiva e planejada para garantir que os documentos produzidos ao longo do ano permaneçam íntegros, acessíveis e confiáveis para os anos vindouros.


As atividades de fim de ano iniciam-se, prioritariamente, pela avaliação documental, momento em que se aplica a tabela de temporalidade para identificar documentos que devem ser eliminados, transferidos ou recolhidos para guarda permanente. Essa etapa é fundamental para evitar o acúmulo desnecessário de documentos, otimizar espaços físicos e digitais e assegurar que apenas a informação de valor administrativo, legal, fiscal ou histórico seja preservada.

Outro eixo essencial é a organização e consolidação dos arquivos corrente e intermediário, com a revisão da classificação, da ordenação e da descrição documental. O arquivista verifica a correta aplicação do plano de classificação, ajusta eventuais inconsistências e garante que os documentos estejam devidamente identificados, facilitando a recuperação da informação no futuro.

No contexto digital, o fechamento do ano demanda atenção redobrada à gestão de documentos eletrônicos. O arquivista valida metadados, confere a integridade dos arquivos, revisa políticas de backup e preservação digital e assegura que os sistemas de gestão documental estejam atualizados e em conformidade com normas e legislações vigentes, como aquelas relacionadas à autenticidade, confiabilidade e proteção de dados.

As ações de preservação preventiva também ganham destaque nesse período. Incluem-se a verificação das condições ambientais dos depósitos, a inspeção do estado físico dos documentos, a adoção de medidas contra agentes de deterioração e o planejamento de ações corretivas para o ano seguinte. No caso dos documentos digitais, essa preservação se traduz no monitoramento de formatos, migração tecnológica e mitigação de riscos de obsolescência.

Por fim, o arquivista dedica-se ao planejamento estratégico para o novo ano, elaborando relatórios de gestão, identificando gargalos, propondo melhorias nos fluxos documentais e alinhando as práticas arquivísticas aos objetivos institucionais. Esse planejamento assegura a continuidade das políticas de gestão e preservação da informação, reforçando o papel do arquivo como ativo estratégico e fonte de memória organizacional.

Assim, as atividades de fim de ano do arquivista não representam apenas um encerramento de ciclo, mas um investimento consciente na preservação da informação, garantindo que os registros de hoje permaneçam acessíveis, autênticos e significativos para as gerações futuras.

sábado, 27 de dezembro de 2025

Fim de ano em bibliotecas

Chegando o fim de ano, a biblioteca intensifica seu papel estratégico na preservação, organização e difusão do conhecimento, atuando de forma sistemática para assegurar que os acervos físicos e digitais permaneçam acessíveis, atualizados e relevantes para os anos vindouros. Nesse contexto, as atividades de fim de ano do bibliotecário assumem caráter técnico, gerencial e prospectivo, fundamentais para a sustentabilidade informacional da instituição.


Uma das principais ações desse período é a avaliação e revisão do acervo, que envolve a análise criteriosa das coleções à luz da política de desenvolvimento de coleções. São identificadas obras desatualizadas, duplicadas ou em mau estado físico, bem como lacunas temáticas que demandarão aquisições futuras. Esse processo contribui para manter um acervo coerente, equilibrado e alinhado às necessidades informacionais dos usuários.

Paralelamente, o bibliotecário promove a organização e a atualização dos registros bibliográficos, revisando a catalogação, a classificação e a indexação das obras. A conferência de dados no sistema, a padronização de pontos de acesso e a correção de inconsistências garantem maior precisão na recuperação da informação e fortalecem a confiabilidade das respostas às demandas da biblioteca.

No âmbito da preservação do acervo, as atividades de fim de ano incluem a inspeção das condições físicas das coleções, a adoção de medidas de conservação preventiva e o planejamento de ações de restauração, quando necessário. Para os recursos digitais, o bibliotecário verifica a integridade dos arquivos, a validade de licenças, o acesso contínuo a bases de dados e a adequação dos formatos, prevenindo perdas informacionais decorrentes de falhas técnicas ou obsolescência tecnológica.

Outro aspecto relevante é a análise do uso da biblioteca, por meio da consolidação de dados estatísticos sobre empréstimos, acessos a bases eletrônicas, frequência de usuários e serviços prestados. Essas informações subsidiam relatórios gerenciais, justificam investimentos e orientam a tomada de decisões para o aprimoramento dos serviços no exercício seguinte.

Finalmente, o encerramento do ano é marcado pelo planejamento estratégico das atividades futuras, contemplando ações de mediação da informação, programas de incentivo à leitura, capacitações de usuários, atualização tecnológica e fortalecimento da biblioteca como espaço de aprendizagem, pesquisa e memória institucional.

Dessa forma, as atividades de fim de ano na biblioteca não se limitam a rotinas administrativas, mas representam um compromisso técnico e social com a preservação do conhecimento, assegurando que a informação organizada hoje permaneça disponível, confiável e significativa para as gerações futuras.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2025

O Natal está em você!

Neste Natal deixe que ELE chegue e fique para sempre. Receba-o de abraços e coração abertos. A

Que ELE reine no seu lar para todo o sempre!

Feliz Natal para os leitores de Leitura e contexto e todos que ainda serão.

Menino Jesus


sábado, 20 de dezembro de 2025

Mais uma vez imortalizado

Meu pai, Arquiteto José Armando Farias, mais uma vez imortalizado. Desta vez na obra que comemora 60 anos da fundação da então Escola de Arquitetura, em 1964. Imortalizado sob o conceito de "imortalidade cultural e histórica", pois já fez parte da exposição no MAUC, que comemorou esse aniversário e foi citado em vários artigos científicos e livros.

A publicação "De Escola de Arquitetura a Instituto de Arquitetura e Urbanismo e Design" reúne memórias, pesquisas e registros que revisitam a trajetória da Escola e celebra as seis décadas de ensino,  trazendo em uma de suas páginas a foto do meu pai aimda bem jovem,  acompanhada de dados da sua atuação profissional.


Junto com ele outros colegas arquitetos que fizeram parte dessa história, sendo ele o de presença e atuação mais antigas, no entanto que nos deixou mais cedo. Seu legado ficou para a história, sendo objeto de estudo de vários arquitetos da atualidade.






Quando dizemos que alguém foi "imortalizado" através da escrita estamos falando da sua essência, feitos e nome na memória coletiva da humanidade. 

Diferente da tradição oral, que pode se perder ou se transformar drasticamente com o tempo, a obra escrita fixa o indivíduo em um suporte físico ou digital. Quando um profissional é citado em múltiplas obras, ele deixa de ser um indivíduo isolado e passa a ser um ponto de referência dentro de uma área do conhecimento, no caso dele, na Arquitetura.

Se essa obra que cita meu pai sobreviver ao tempo e continuar sendo lida, ele continuará exercendo influência e "existindo" na mente de quem o estuda, muito depois de sua existência física ter cessado e dos anos de seu falecimento.

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Colheita do ano

Ano chegando ao fim. Oportunidade para analisar os resultados do período, aquilo que deu certo, o que está se encaminhando para tanto e as ações que precisam de mais tempo para acontecer. Para tanto, uso o recurso da analogia

A analogia é um recurso de linguagem que mostra semelhanças e relações entre coisas diferentes para ilustrar uma ideia ou fazer uma observação explicativa. No meu texto, a analogia é usada para explicar que, assim como um fruto precisa do tempo e das condições certas para amadurecer completamente, as ações e seus resultados na vida exigem um processo semelhante de desenvolvimento e execução para serem considerados "maduros" ou completos.

A analogia que faço é com a safra de acerola desse período que  colhi no meu jardim. Vi que no arbusto havia frutos bem maduros, outros que serão colhidos na próxima vez, alguns ainda verdes, não amadureceram, e flores que ainda vão frutificar. 


Fazendo a leitura e analisando o contexto, podemos ver que muito frutificou. Comparando com o resultado do ano que está se findando, conclui que tive muitas atividades planejadas que foram realizadas, outras que estão prestes a acontecer, outras que serão concretizadas na sua devida época, além de sinais de algo que ainda está  por vir, que floriu, mas falta frutificar.

Que esse ano novo venha carregado de novos frutos para serem colhidos, frutos com qualidade e com sabor de vitória e que tudo seja motivo de aprendizado para uma vida melhor, pessoal e profissional.

sábado, 13 de dezembro de 2025

Um milhão de caixas de arquivos

Estava no nosso planejamento estratégico atingir um milhão de caixas de documentos arquivísticos até dezembro de 2025. E a meta foi atingida ainda em outubro. 

1.000.000 de caixas de 260 clientes guardadas, endereçadas, gerenciadas e sobretudo indexadas. Qualquer documento nelas existente pode ser localizado de imediato, conforme a solicitação do cliente. 

Uma equipe envolvida e comprometida com a gestão documental, desde a venda, passando pelas questões técnicas que eu respondo, dando apoio a equipe de processamento, até a internalização das caixas na estanteria dos armazéns, para atender com prontidão as solicitações dos nossos clientes, respondendo com maestria a todos os requisitos da Arquivologia, da ISO 9001e da LGPD.

Um milhão de contratos, de notas fiscais, de folhas de pagamento, de atestados de saúde, de movimentos de caixa, de prontuarios médicos, de plantas de projetos, de atas de reuniões, de balanços patrimoniais, de tantos outros documentos, que representam a história das empresas, foram confiados pelos clientes à Mrh Arquivos.

Com orgulho de tudo isso, todos que já vestem diariamente a camisa da Mrh, respondendo às demandas, vestiram literalmente a camisa do milhão, para comemorar essa grande conquista da Mrh Arquivos.


Acesse a matéria Mrh que escrevi sobre essa conquista no blog da Mrh Arquivos: UM MILHÃO DE CAIXAS GUARDADAS!

terça-feira, 2 de dezembro de 2025

Bicentenário de D. Pedro II

Hoje é o dia do bicentenário de nascimento tô do último imperador do Brasil, Pedro II.

D. Pedro II nasceu no Rio de Janeiro, no dia 2 de dezembro de 1825, no Palácio de São Cristóvão. Filho do Imperador D. Pedro I e da Imperatriz Leopoldina da Áustria, ficou conhecido como "o Magnânimo", "o Último Imperador do Brasil" e por seu grande apreço por ciência, artes e educação, um verdadeiro intelectual.

Tinha grande interesse pela ciência, artes e idiomas. Falava e lia diversos idiomas, traduzia obras literárias, mantinha correspondência com grandes intelectuais da época e dedicava muitas horas de estudo diário.

Em se tratando da sua função como imperador, o reinado de D. Pedro II, o "Segundo Reinado", foi marcado por estabilidade política e prosperidade, apesar de enfrentar crises como a Guerra do Paraguai

Promoveu a modernização do país e o incentivo às ciências e tecnologias, tendo um laboratório astronômico e se correspondendo com cientistas de todo o mundo, como Alexander Graham Bell.

E trazendo para o contexto socioeducativo e cultural de bibliotecas, livros e leitura, com certeza, se a monarquia tivesse continuado, com a influência de D. Pedro II, teríamos mais de tudo isso, o país seria mais letrado e educado.

Estátua de D. Pedro II, na Praça da Sé, em Fortaleza, Ceará 

Aqui em Fortaleza, o seu bicentenário foi comemorado em sessão solene na Câmara Municipal, com a presença do herdeiro do trono, D. Bertrand de Orléans e Bragança, que recebeu o título de Cidadão de Fortaleza.

No seu primeiro centenário, foi erguida também uma estátua em sua homenagem em frente ao Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, palácio onde nasceu o Imperador.





sábado, 29 de novembro de 2025

Aplicação da IA em bibliotecas

A Inteligência Artificial (IA) está transformando as bibliotecas, otimizando tanto a gestão interna quanto a experiência dos usuários. Longe de substituir o bibliotecário, a IA atua como uma ferramenta poderosa para automatizar tarefas repetitivas e aprimorar o acesso ao conhecimento.

Aplicações da IA

Analisando as atividades comuns de uma biblioteca, vemos que a IA pode ser aplicada em diversas frentes para modernizar e aprimorar os serviços bibliotecários:
  • recomendação e busca personalizada: algoritmos de machine learning analisam o histórico de empréstimos, temas de pesquisa e padrões de navegação dos usuários. Com base nesses dados, sistemas de recomendação inteligentes sugerem títulos, artigos ou recursos que são altamente relevantes para os interesses e lacunas de aprendizado de cada pessoa;
  • automação de tarefas repetitivas: a IA pode automatizar processos administrativos que consomem tempo dos funcionários, liberando-os para se concentrarem em trabalhos mais estratégicos e de contato humano. Exemplos incluem a catalogação e indexação automática de acervos com base em conteúdo e tema, bem como classificar, automaticamente, usando padrões como CDU, CDD ou vocabulários controlados, além da gestão de lembretes de devolução e renovação de empréstimos;
  • atendimento ao usuário: chatbots equipados com Processamento de Linguagem Natural (PLN) podem responder a perguntas frequentes (horários, localização, regras). Esses assistentes podem auxiliar na navegação do acervo e na recuperação de informações, agilizando o primeiro contato e o suporte básico, inclusive oferecendo acessibilidade aprimorada, como leitura automática de textos para pessoas com deficiência;
  • sistemas inteligentes de empréstimo: com recurso de reconhecimento facial ou RFID integrado;
  • curadoria automatizada e personalizada: criando guias de leitura automáticos, sugerindo listas temáticas e acompanhando interesses do usuário ao longo do tempo.

Benefícios da Implementação da IA

Depois de analisar as aplicações da IA, podemos perceber que a integração fortalece o papel da biblioteca na era digital, proporcionando muitos benefícios aos usuários e ao bibliotecário:
  • eficiência operacional com a redução do tempo gasto em tarefas repetitivas, com velocidade e precisão, tornando o trabalho dos bibliotecários mais focado e significativo; 
  • experiência personalizada oferecendo serviços mais relevantes e sob medida para cada usuário, melhorando a satisfação e o engajamento; 
  • acesso ampliado e equitativo, ajudando a tornar os recursos mais pesquisáveis e acessíveis, independentemente de o usuário saber a palavra-chave exata; 
  • capacitação usando a IA para oferecer recursos de treinamento em tecnologia e habilidades digitais à sua comunidade, posicionando-se como centros de educação tecnológica.
Como verificamos, a IA é uma grande oportunidade para as bibliotecas se adaptarem e firmarem ainda mais seu papel na inclusão social, consolidando-se como centros de conhecimento dinâmicos, atuantes e em constante evolução, acompanhando o contexto e a realidade atual. 

Para entendermos melhor essa dinâmica da implantação da IA, é importante conhecer o tal aprendizado de máquina (Machine Learning - ML), lendo a respeito para trazer a compreensão necessária. Um bom começo é explorar o fluxo representado na ilustração abaixo, gerado por IA, com minha tradução das etapas.

Imagem gerada pelo Gemini 

quinta-feira, 20 de novembro de 2025

Já sentiu a falta de um documento?

Já sentiu a falta de um documento? Na hora H precisou dele e não localizou? Com certeza teve algum prejuízo com essa falta.

No Blog da Mrh Arquivos, falamos a respeito, acesse e confira!

A Falta que um documento faz



domingo, 16 de novembro de 2025

Sessão solene com Dom Bertrand

Foi na quinta-feira 13/11/2025 a sessão solene na Câmara Municipal de Fortaleza em homenagem ao bicentenário de D. Pedro II. A sessão contou com a presença do representante da Casa Imperial do Brasil, Dom Bertrand de Orléans e Bragança, herdeiro do trono, que recebeu o título de Cidadão de Fortaleza.



Fotos feitas diretamente da tela da TV Câmara

Principais detalhes da sessão

Homenageado: Dom Bertrand de Orléans-Bragança, que é o chefe do ramo Vassouras da Casa de Orléans-Bragança e um dos pretendentes ao extinto trono brasileiro.

Concessão do título: A aprovação ocorreu em 15 de outubro de 2025 pelos vereadores de Fortaleza.

Cerimônia de entrega: A solenidade de entrega do título ocorreu em 13 de novembro de 2025, em comemoração ao bicentenário de Dom Pedro II.

Motivação: A homenagem foi proposta pelo vereador Jorge Pinheiro e busca reconhecer o vínculo histórico e intelectual do príncipe com a cidade, além de celebrar a memória e o legado de Dom Pedro II.

Iniciativa louvável tendo em vista a pessoa que foi o Imperador e todos os feitos por ele realizados, em particular, aqueles que beneficiaram o Ceará:

  • construção da Estrada de Ferro de Baturité;
  • construção do Açude do Cedro, a primeira grande obra hidráulica moderna do continente, iniciada para combater a seca;
  • expedição científica no sertão para estudar as mazelas da região;
  • projeto de iluminação pública de Fortaleza.

sábado, 15 de novembro de 2025

Plebiscito tardio

Plebiscito tardio, é o que considero para aquele que ocorreu em 1993. Aqui, o ditado "Antes tarde do que nunca" não vale. Mas, por que? Exatamente porque a consulta foi tardia, em outro contexto, outras pessoas decidiram em outra época,  em outro século, com novos pensamentos, novos conceitos, nova leitura da sociedade. 

Historiadores são unânimes em considerar um golpe a Proclamação da República. Foi um movimento militar (um golpe de Estado) e não um processo democrático com participação popular. A mudança de regime foi articulada por elites políticas e militares insatisfeitas, sem consulta prévia à população.

O movimento militar foi liderado pelo marechal Manuel Deodoro da Fonsecaculminando em 15 de novembro de 1889 com a destituição do então chefe de Estado, o imperador D. Pedro II, que seguiu para o exílio com toda a família dois dias depois.

O plebiscito sobre a forma de governo (monarquia ou república) poderia ter ocorrido após o golpe, para ratificar a república, ou talvez até refutá-la. Sabe-se lá o que se passava na cabeça do povo daquele século, de repente, se tivesse ocorrido, estaríamos hoje ainda em uma monarquia, com Dom Bertrand de Orléans e Bragança, reinando de fato e de direito a Casa Imperial do Brasil.

Portanto, eu considero um segundo golpe, a falta do plebiscito à época. Mas, já que estamos nessa república há quase um século e meio, que melhore, que seja mais povo e menos interesses escusos.

Penso que uma república é considerada boa quando se baseia em princípios fundamentais como a soberania popular, a gestão da coisa pública para o bem comum e a responsabilidade dos governantes, afinal, República, é "coisa pública." 

domingo, 9 de novembro de 2025

Orçamento para biblioteca

Orçamento para bilioteca, coisa difícil de existir, arrisco até a dizer, rara de ocorrer em certas instituições. Geralmente, os recursos vêm da entidade mantenedora ou daquela a que está diretamente subordinada, ou seja, não há autonomia.

O ideal é realmente definir um orçamento mensal por menor que seja, dessa forma o acervo cresce bem atualizado. Foi isso que fiz quando assumi a biblioteca do então Banco do Estado do Ceará, ainda na década de 80, atualizando as instruções de serviço (IS 22-Biblioteca), que passou a estabeler um salário mínimo mensal para compra de livros, a partir de então. 

Mas, se não há um orçamento definido na instituição (na maioria das bibliotecas é assim), pelo menos as verbas resultantes das multas aplicadas pela devolução em atraso podem ser adotadas como uma pequena verba mensal para este fim, afinal são recursos que ela mesma gerou decorrentes de sua atividade. Foi o que fiz na Biblioteca da Faculdade CDL, em 2018, que, inclusive, passou a constar como item no Plano de contingência do acervo.


Vamos considerar a existência de um orçamento próprio, para falar de como deve ser a sua gestão. A preparação do orçamento para a compra de livros é uma atividade estratégica na gestão de uma biblioteca. Para garantir que seja eficiente e alinhado às necessidades do acervo e dos usuários, deve-se seguir uma série de atitudes e procedimentos. Aqui está um guia com os passos essenciais.

I. Planejamento, com a revisão da Política de Desenvolvimento de Coleções (PDC):

  • ​garanta que o orçamento reflita as diretrizes e prioridades estabelecidas na PDC da biblioteca (áreas temáticas, tipos de material, nível de profundidade, idiomas, etc.);
  • analise as necessidades do acervo e usuários, tomando como base os dados concretos, não apenas as suposições;
  • levante as sugestões, reunindo e analisando as demandas de compra da comunidade (professores, alunos, pesquisadores, público em geral);
  • analise o uso, verificando estatísticas de empréstimo e consulta para identificar áreas de alta demanda (que precisam de mais exemplares) e áreas deficientes;
  • verifique a questão da obsolescência e danos, identificando os títulos desatualizados ou em mau estado que precisam ser substituídos ou comprados em nova edição;
  • considere as bibliografias dos cursos, básicas e complementares (se for uma biblioteca acadêmica), seguindo as diretrizes e normas institucionais e regulatórias do MEC;
  • seja realista, priorize as compras essenciais, tais como material didático obrigatório, obras de referência, títulos de alta demanda);
  • classifique os pedidos e as áreas em níveis de prioridade (alta, média, baixa) para garantir que os recursos limitados sejam gastos nas necessidades mais urgentes.

​II. Procedimentos de cálculo e orçamento, com uma pesquisa e cotação de preços, para ter uma estimativa de custo:

  • busque a melhor relação custo-benefício e transparência;
  • faça pesquisa de mercado com a cotação de preços dos títulos prioritários em pelo menos três fontes (livrarias, editoras e fornecedores especializados), para obter uma estimativa de preço justo e real.
  • avalie a possibilidade de descontos para grandes volumes ou aquisição direta com editoras.
  • lembre-se que pode haver custos adicionais, inclua no orçamento custos como frete, impostos (se aplicável), e possíveis taxas de processamento técnico (se terceirizado);
  • distribua os recursos de forma equilibrada, locação por área/disciplina;
  • divida o orçamento total em categorias (Ex: Ciências Humanas, Exatas, Literatura, Referência, etc.) com base na análise de necessidades e prioridades da instituição;
  • mantenha uma pequena reserva orçamentária para a compra de lançamentos importantes ou títulos solicitados após o fechamento do orçamento;
  • documente todo o processo para fins de prestação de contas e futura referência;
  • elabore uma planilha detalhada, listando os títulos/categorias, a quantidade de exemplares, o preço unitário estimado e o valor total por área;
  • redija um documento formal justificando a alocação de recursos, destacando as prioridades e a conformidade com a PDC e os requisitos institucionais (Ex: atendimento à bibliografia básica de um curso).

III. Procedimentos para a aquisição, após a aprovação do orçamento, segue o processo de compra por licitação ou compra direta:

  • s​iga rigorosamente as normas de contratação da sua instituição (especialmente se for uma entidade pública);
  • definina a modalidade, verificando se a compra deve ser feita por meio de licitação, (geralmente para grandes volumes), seguindo a Lei Federal nº 14.133/2021) ou por dispensa de licitação, no caso de valores abaixo do teto, por intermédio de compra direta, junto ao fornecedor que oferecer menor preço;
  • elabore ou forneça subsídios para o Termo de Referência, especificando claramente o objeto (título dos livros, incluindo ISBN, autores, edição, encadernação, etc.), o valor estimado e os prazos de entrega;
  • formalize a compra após a conclusão do processo licitatório ou de dispensa, garantindo a reserva orçamentária;
  • monitore os prazos de entrega e verifique a conformidade do material com o pedido, conferindo os títulos, edições, quantidades e estado físico (sem defeitos de impressão/encadernação) estão corretos;
  • confirme se os valores da nota fiscal correspondem aos valores orçados e empenhados;
  • encaminhe as publicações para o processamento técnico.
IV. Registro patrimonial, com a catalogação, classificação, etiquetagem e tombamento, introduzindo as publicações adquiridas ao acervo da biblioteca. 

​Seguindo essas etapas, você terá um processo de compra de livros transparente, bem fundamentado e que maximiza o impacto do seu orçamento na qualidade do acervo da biblioteca.

sábado, 8 de novembro de 2025

O Ciclo de vida dos documentos

Os documentos têm vida, eles podem ter vida até a terceira idade, no entanto, alguns já morrem na primeira, outros chegam até a segunda (maioria), mas não alcançam a terceira, e há aqueles que chegam à terceira e lá permanecem. Entenda o porquê de tudo isso, acessando o e-book "O Ciclo de vida dos documentos", que elaborei para o site da Mrh Arquivos.

domingo, 2 de novembro de 2025

Inovação em bibliotecas: adaptação contínua




A inovação em bibliotecas é um processo contínuo e intrinsecamente ligado ao contexto social, tecnológico e cultural de cada época, portanto, de adaptação. As transformações não visam apenas modernizar, mas garantir que a biblioteca cumpra seu papel essencial de promover o acesso ao conhecimento e à informação, adaptando-se às necessidades de seus usuários.

A biblioteca, como instituição milenar, sempre inovou para permanecer relevante e se manter na rotina das pessoas. Como sabemos, a inovação não é um evento isolado, mas uma cultura de adaptação e melhoria, manifestada em diferentes níveis (serviços, processos, espaços e tecnologia) e pode ser radical ou incrementais. A inovação nas bibliotecas surge como resposta a essas demandas, seja para lidar com um volume crescente de informação, novas mídias ou mudanças no comportamento do usuário. Portanto, vamos assistir ao longo dos tempos essas manifestações nas bibliotecas, que vai se adaptando a cada período histórico, na medida em que novos desafios e novos instrumentos são necessários. 

Na Idade Antiga e Média o foco da inovação era a preservação e o acesso físico limitado ao acervo (apenas a elite usufruia). A substituição de tábuas de argila por papiros e, depois, por códices (livros com páginas) melhorou a portabilidade e a durabilidade do conhecimento. Uma grande inovação para a época. Com o desenvolvimento de sistemas de organização e catalogação, mesmo ainda incipientes, foi possível gerenciar o acervo, conforme aconteceu a partir das listas da Biblioteca de Alexandria, inovação crucial para a recuperação da informação naquele período.

Com o advento da imprensa de Gutenberg e logo depois dela (Séculos XV - XIX),  o volume de livros explodiu, e a demanda por acesso se ampliou. O desafio agora era lidar com grandes volumes e compreender o conceito de acesso público. Daí surgiu a necessidade do desenvolvimento de sistemas de classificação mais robustos (como o sistema de Dewey ou a Classificação da Biblioteca do Congresso), para organizar milhões de itens de forma padronizada. Foi uma inovação social e de serviço fundamental, democratizando e disponibilizando o acesso do serviço de empréstimo ao público.

Mais adiante, na Era da Informática (Segunda Metade do Século XX) chega o computador e as tecnologias de processamento de dados para transformar os processos internos das bibliotecas com a automação. Com a necessidade de agilidade na catalogação, circulação e recuperação de informações em grandes acervos. Eessa automação veio facilitar a rotina dos processos bibliotecários, criando catálogos online e usando sistemas integrados de gerenciamento de bibliotecas, para substituir os antigos fichários e processos manuais.

E com a Era Digital (Século XXI), a Biblioteca passou a ser híbrida e se caracteriza como centro comunitário. A internet e a tecnologia móvel forçaram a biblioteca a expandir-se para o ambiente virtual e a repensar seu espaço físico. A Inovação, então, passou a ser o acesso ubíquo (em qualquer lugar e a qualquer hora), criar espaços colaborativos e competir com a informação livre (e muitas vezes não verificada) da web.

Acervos digitais e híbridos, tais como e-books, bases de dados e a digitalização de acervos raros, permite agora acesso simultâneo e remoto. E com a tecnologia de RFID (identificação por radiofrequência) para autoatendimento no empréstimo e devolução, liberando o bibliotecário para atividades mais consultivas.

Surgiram os espaços criativos, os makerspaces, que transformam o espaço físico em centros comunitários e laboratórios de criação (com impressoras 3D, equipamentos de mídia, etc.), estimulando a aprendizagem ativa e a colaboração. Também o oferecimento de referências e capacitações virtuais, além de aulas, contações de histórias online, lives, entrevistas, podcasts, etc.

A inovação, portanto, não é sobre seguir cegamente a tecnologia, mas sobre responder inteligentemente às necessidades da comunidade, utilizando os recursos disponíveis em seu tempo, mantendo o foco no acesso, na equidade e na promoção do conhecimento.

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Livro: odisseia do conhecimento e da emoção

Hoje, Dia Nacional do Livro, celebramos não apenas um objeto, mas um portal inesgotável para mundos, ideias e sabedorias. A história do livro é uma jornada fascinante que acompanha a própria evolução da civilização humana, começando muito antes do papel.


​Desde os primórdios, a necessidade de registrar e transmitir o conhecimento impulsionou a criação de suportes variados. Começamos com as tabuletas de argila dos sumérios, passando pelos rolos de papiro dos egípcios, que nos deram a raiz da palavra latina liber (livro), e alcançamos os resistentes pergaminhos em formato de códex, o antecessor direto do livro que conhecemos. No século XV, a invenção da prensa de tipos móveis por Gutenberg causou uma revolução, democratizando o saber e transformando o livro em um agente central da disseminação cultural e científica.

​Saltando séculos, o livro testemunha agora uma nova e acelerada onda de transformações em formato. A atualidade aponta, inegavelmente, para a expansão do digital. E-readers, audiobooks e plataformas interativas trazem leituras mais acessíveis, customizáveis e que se integram à nossa vida conectada do cotidiano. Assistimos a sua expansão, quando ganhou novas texturas virtuais, recursos multimídia e a capacidade de ser transportado em massa em um único dispositivo.

​No entanto, é fundamental manter a perspectiva de que a inovação não é sinônimo de aniquilação. A despeito do avanço digital, o livro físico na sua concepção atual resistirá ao tempo, porque ele transcende o mero recipiente de informação. O livro impresso carrega um valor sensorial e emocional insubstituível. 

O cheiro da tinta nova ou do papel envelhecido, o ato tátil de virar uma página, a satisfação de ver uma estante repleta de lombadas que contam a história de uma vida, tudo isso cria um apego pessoal que nenhuma tecnologia conseguirá replicar integralmente. Tenho a certeza de que muitos leitores têm essa percepção e sentimento, haja vista os depoimentos que dão no balcão de biblioteca.

​O livro físico é um refúgio da constante luminosidade das telas, um descanso para os olhos. Podemos considerá-lo um objeto de valor colecionável e ainda uma peça de decoração, que expressa a alma do leitor. Ele não desaparecerá, ele coexistirá. O futuro continuará, portanto, híbrido, talvez ainda trazendo outras formas a serem criadas pela homem, as quais ainda não conhecemos. Portanto, a praticidade do digital e a profunda conexão afetiva do físico se complementarão, garantindo que o legado milenar da leitura continue firme em nossas mãos e corações.