sábado, 30 de novembro de 2013

O futuro é bem ali...





Lembrei-me de consultar o site do Seminário Futura Trends para buscar os arquivos que foram apresentados nas palestras e me deparei também com a possibilidade de acessar online o certificado de minha participação, facilidades que a tecnologia permite.

Daí, fui um pouquinho mais longe, ainda usufruindo da tecnologia, achei as fotos registradas no evento e despertei a vontade de fazer essa postagem, ainda que tardia (pela data, não pelo assunto).


O Futura Trends que ocorreu em 26 de agosto, no Hotel Gran Marquise, em Fortaleza, superou as expectativas. Estive lá pela MRH, uma das empresas patrocinadoras do evento, para aproveitar a onda de conhecimento e enriquecer o nosso Programa Inovar.


Cientistas, gestores e doutores de destaque nacional e internacional abrilhantaram o evento, que teve como tema macro "Inovação e sustentabilidade organizacional".  Falas impecáveis, ricas de conteúdos, de recursos visuais e de muitos exemplos reais, tudo planejado para os participantes retornarem às empresas com muita informação e possibilidades de geração de conhecimento para inovação.



A incumbência de abrir o evento de forma sensacional coube a Ozires Silva, que falou sobre sustentabilidade, usando a história da Embraer, sua evolução e posição no ranking mundial. O fundador da Embraer deu destaque para a dificuldade em encontrar quem invista em novas ideias e enfatizou o novo conceito de “coopetição”, mistura de cooperação e competição.





Todas as palestras foram excelentes, no entanto, me identifiquei muito com a convidada Lala Deheinzelin – Consultora Internacional em Economia Criativa, que apresentou Como Construir uma Sociedade a Partir da Economia Criativa e Desenvolvimento Sustentável, pela importância que deu aos valores intangíveis, pela opção por uma economia criativa em detrimento à tradicional, em função dos recursos que se renovam e se multiplicam com o seu uso.


Encontrei na fala dela similaridade com os fundamentos de Domenico De Masi em relação à economia do ócio e ao ócio criativo e muita fé e força no fazer em conjunto de forma colaborativa, em que cabeças pensantes (ativos intangíveis) de qualquer parte do mundo podem se unir (novas tecnologias) e construir algo grandioso (prosperidade multidimensional), onde todos ganham. 

Nesse contexto, a leitura para 2 + 2 será sempre maior que 4 (processo colaborativo).

Administração do tempo, coisa do século XVII ou de hoje?

Conta e tempo é obra prima do trocadilho, poesia escrita no século XVII por Frei Antonio das Chagas (António Fonseca Soares), mostra o efêmero, o inexorável e o aspecto volátil do tempo. Embora sejam texto e leitura do passado, o contexto é atualíssimo, quando olhamos para trás e nos damos conta de uma vida vivida e ainda muito por fazer. 

E você, já deu conta do seu tempo? 
Ou o seu tempo já tomou conta de você?


Afora o caráter de cumprimento do dever junto ao Pai e mediante o próximo enquanto ser vivente na esfera terrena, o poema dá um realce para a questão da administração do tempo. E, sobre essa temática, há especialistas como Mario Persona e Christian Barbosa, que abordam o tempo não só no trabalho, mas, também na vida pessoal. 

Administrar o tempo não é coisa fácil, se no século XVII já se tinha essa preocupação, imaginem nos dias atuais, com tantos apelos, interferências e demandas. 





Conta e tempo

Deus pede estrita conta do meu tempo
E eu vou, do meu tempo, dar-lhe conta.
Mas, como dar, sem tempo, tanta conta.
Eu, que gastei, sem conta, tanto tempo?

Para dar minha conta feita a tempo,
O tempo me foi dado, e não fiz conta;
Não quis, sobrando tempo, fazer conta.
Hoje, quero acertar conta, e não há tempo.

Oh, vós, que tendes tempo sem ter conta,
Não gasteis vosso tempo em passatempo.
Cuidai, enquanto é tempo, em vossa conta!

Pois, aqueles que, sem conta, gastam tempo,
Quando o tempo chegar, de prestar conta
Chorarão, como eu, o não ter tempo...


Frei Antônio das Chagas, Séc. XVII


Postagem incentivada pela amiga Marta Aragão, de quem recebi a poesia por e-mail.

domingo, 24 de novembro de 2013

"Todo ponto de vista é a vista de um ponto"


Depois de muitos anos, a oportunidade de ler A Águia e a galinha, de Leonardo Boff, exemplar da minha estante ainda na sua 16ª edição (hoje já na 51ª),  além de toda a filosofia da condição humana que envolve a obra, destaco sua importância para ilustrar esse espaço de leitura e contexto, a partir do recorte do trecho introdutório, em que o autor exalta a questão da leitura, conforme o contexto.






"Ler significa reler e compreender, interpretar. Cada um lê com os olhos que tem. E interpreta a partir de onde os pés pisam. 
Todo ponto de vista é a vista de um ponto. Para entender como alguém lê, é necessário saber como são seus olhos e qual é sua visão de mundo.Isso faz da leitura sempre uma releitura. 
A cabeça pensa a partir de onde os pés pisam. Para compreender, é essencial conhecer o lugar social de quem olha. Vale dizer: como alguém vive, com quem convive, que experiências tem, em que trabalha, que desejos alimenta, como assume os dramas da vida e da morte e que esperanças o animam. Isso faz da compreensão sempre uma interpretação. 
Sendo assim, fica evidente que cada leitor é co-autor. Porque cada um lê e relê com os olhos que tem. Porque compreende e interpreta a partir do mundo em que habita." (p. 9)


Importante também é ressaltar o enfoque positivo que ele dá à dualidade (não dualismo), como fator essencial para a compreensão da complexidade do universo. Nessa realidade as partes se articulam e se inter-relacionam, "dando origem a um sistema dinâmico sempre aberto a novas sínteses." (p. 75) 

No livro essas partes são representadas pela águia e pela galinha. Precisamos crescer humanamente, trabalhando as nossas dimensões de águia e galinha. O importante é o equilíbrio entre elas, é saber usá-las, pois ambas são importantes  por um lado, a abertura para a vida, os sonhos a serem realizados como projeto de vida, por outro, as limitações do mundo concreto, o ser histórico, enraizado no cotidiano.

Em Leonardo Boff encontrei mais um reforço para este espaço, englobando as dimensões da leitura e do contexto.

Essa leitura foi despertada pela postagem Leitura: fonte do conhecimento, na Blogteca da Faculdade CDL.
BOFF, Leonardo. A Águia e a galinha: uma metáfora da condição humana. 16 ed. Petrópolis, RJ: Vozes, 1998.

sábado, 9 de novembro de 2013

"Ler é saber. Nada é impossível para quem lê."

Destaque em Leitura e contexto para o outdoor do Farias Brito, onde, na leitura do contexto, o céu é o limite em todos os sentidos. 




segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Um canto que é um encanto! Paralelas ou curvas, horizontais ou verticais...


Na Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, venho mostrar meu encanto por esse canto, canto como local de leitura, canto como melodia de saber para a mente, experimente!

Bibliotecas, livrarias, uma pequena estante, uma caixa itinerante, uma prateleira ou apenas uma cabeceira, não importa, qualquer canto que possa habitar livros e proporcionar momentos de leitura, independente da literatura.

Em paralelas ou curvas, horizontais ou verticais, eles se agrupam e oferecem opções de conhecimento e muito mais...

Alegria no coração, muita satisfação, de possuir ou ter acesso a essa coleção!






sábado, 26 de outubro de 2013

Semana Nacional do Livro e da Biblioteca 2013 na Faculdade CDL

O Decreto n° 84.631/1980 no seu artigo 1º instituiu a "Semana Nacional do Livro e da Biblioteca, com início a 23 de outubro e término a 29 do mesmo mês, data esta consagrada como o "Dia Nacional do Livro", pela Lei nº 5.191 (2), de 18 de dezembro de 1966.

Momento de evidenciar, enaltecer, ressaltar, divulgar e muito mais, levar à comunidade, seja ela qual for, o espírito da leitura, as possibilidades de novos horizontes que ela proporciona, a importância da instituição Biblioteca e do instrumento de conhecimento livro.

Não é atoa que o artigo 2° estabelece: "Os festejos e comemorações, de caráter cultural e popular, deverão ser levados a efeito em todo o território nacional". 

É mais um ano que elaboramos na Faculdade CDL uma programação específica em alusão à semana. Planejamos desta vez festejar levando aos alunos a oportunidade de se envolverem mais com autores e livros, constantes do acervo da Biblioteca, por intermédio do tema Enigmas Literários

Com os enigmas literários, que abrangem perguntas sobre autores e livros da literatura clássica nacional e estrangeira e da bibliografia dos cursos da Faculdade CDL, pretendemos despertar a curiosidade no aluno, levando-o a pesquisar a respeito, agregando mais conhecimentos se, sobretudo, incentivando o gosto pela leitura

Os momentos estão sendo ricos de convivência, alegria, brincadeiras e descobertas, tornando a ambiência da Biblioteca ainda mais agradável. Percebemos que mais alunos se aproximaram tanto da Biblioteca, como uns dos outros e os professores estão contribuindo com o incentivo e com a própria participação. 

Com a resposta aos enigmas, os alunos concorrem a sorteio de livros e, no encerramento, a um vale-curso promovido pela Faculdade CDL.


Uma biblioteca é um organismo vivo, que, independente do contexto, deve estar sempre acordado e antenado, para despertar no usuário a vontade de chegar junto, para usufruir o que ela oferece.

É mais um projeto de sucesso e agradeço a minha equipe de estagiários, Lianna, Dadylla, Juan, Carol, Mayara e Jennifer.



Acesse os links de cada dia.
1º sorteio manhã e noite
2º sorteio manhã e noite
3º sorteio manhã e noite
4º sorteio manhã e noite
5º sorteio manhã e noite
Encerramento


domingo, 20 de outubro de 2013

Outubro também é do Arquivista


Para enaltecer o trabalho do Arquivista e parabenizá-lo neste 20 de outubro (Dia do Arquivista), faço o recorte de alguns trechos da obra O Sabor do Arquivo, de Arlette Farge, editada pela Edusp, já citada em outra postagem, em que a a autora mostra a complexidade do ofício desse profissional. 

O arquivo supõe o arquivista: uma mão que coleciona e classifica (2009, p. 11)

O arquivo age como um desnudamento; encolhidos em algumas linhas, aparecem não apenas o inacessível como também o vivo. Fragmentos de verdade até então retidos saltam à vista: ofuscantes de nitidez e de credibilidade. Sem dúvida, a descoberta do arquivo é um maná que se oferece, justificando plenamente seu nome: fonte. (2009, p. 15)

Quando o arquivo, ao contrário, parece dar acesso facilmente ao que se supõe nele, o trabalho é ainda mais exigente. É preciso se livrar pacientemente da 'simpatia' natural que se sente por ele, e considerá-lo como um adversário a ser combatido, um pedaço de saber que não se anexa, mas que perturba. Não é simples abri mão da facilidade excessiva de encontrar um sentido para ele; para poder conhecê-lo, é preciso desprendê-lo, e não imaginar conhecê-lo logo na primeira leitura. (2009, p. 73)


Na obra, a autora discorre acerca dos arquivos policiais da França do século XVIII, mas, qualquer que seja o contexto, a leitura será sempre de importância, porque entre mortos e vivos, também há os feridos que precisam de tratamento. 

Quem para tratar os documentos e dar ordem ao caos? 

O Arquivista!





domingo, 13 de outubro de 2013

Livro também é brinquedo

Letras, sinais, cores e imagens,
Interrogação, exclamação e ponto final!
Sonho, realidade e muitas viagens,
Brincadeira diferente, leitura incondicional!









Um avião passou, uma onça rugiu,
Um perfume escapou, uma letra sorriu.
A criança atenta viu, sentiu e ouviu,
O livro atraiu, distraiu e divertiu.







Livro é brinquedo diferente,
Mexe com a criança, com a sua imaginação,
De repente, pode ser uma corrente,
Se contado, passado de mão em mão.

Para criança, não há melhor brinquedo,
Leitura, interpretação e contexto,
Forma, conteúdo e enredo,
Porque tudo é lúdico no seu texto!




sábado, 12 de outubro de 2013

Bibliotecário tem que trabalhar como formiga e cantar feito cigarra



Trabalhar ou cantar? Sem conflito de personalidade, tem que associar, não se pode escolher essa ou aquela atividade. No início da fábula A Cigarra e a Formiga as ações são totalmente antagônicas, ou se trabalha ou se canta, mas, no desfecho da história, as duas vertentes são conciliadas, uma completando e dando suporte a outra. 


Na Biblioteconomia tem que ser assim: trabalhar como formiga e cantar feito cigarra. 



Na essência da sua criação a atividade era silenciosa, de bastidores, de retaguarda, mas, sabemos que isso há tempos já mudou, pois as demandas dos usuários são outras frente aos fenômenos da sociedade atual: globalização,  conectividade, Interoperabilidade, interatividade, compartilhamento, colaboratividade, mobilidade, convergência e tantos outros que ainda virão.

Hoje, para o trabalho do bibliotecário, não se permite ação só de formiguinha (trabalhar, trabalhar e trabalhar). Como vamos ser vistos? E não é só isso... Como os nossos usuários vão saber o que temos para oferecer se tudo não for divulgado, compartilhado? Como eles vão se alegrar com os produtos e serviços se não os conhecem? Fazendo a analogia, temos que cantar, cantar e cantar.

O bibliotecário de hoje tem que ser educador, agente cultural e social, comunicador e muito mais, usando o marketing a seu favor.

Neste Dia da Criança, vamos tomar o exemplo da fábula A Cigarra e a Formiga, para exercer a nossa missão com planejamento estratégico e visão de futuro necessária, a fim de alcançarmos os nossos objetivos e, sobretudo, divulgar os nossos serviços, mostrando de forma lúdica, criativa e alegre do que somos capazes e a que vinhemos.
  

domingo, 22 de setembro de 2013

Serviço de referência personalizado


Tomei hoje o mimo que o Google preparou para o dia do meu aniversário para reforçar a questão da especificidade do serviço de referência em unidades de informação.

O doodle abaixo, repleto de bolinhos, docinhos e velinhas com a saudação Feliz aniversário, Ana Luiza! realmente me surpreendeu, apesar de global, o Google consegue individualizar. 



Podemos pensar, é óbvio, é muito fácil, temos um perfil com dados, descrições, fotos, etc., tudo está nas mãos dele. Analisarmos friamente a situação, veremos que ele podia ter tudo isso e não fazer diferença, não materializar em um novo produto personalizado. Mas, ele fez e, por conta disso, hoje será diferente, todas as minhas buscas serão adocicadas e iluminadas com esse mimo de bolinhos, docinhos e velinhas do amigo Google.


E o que tem isso a ver com o serviço de referência em unidades de informação? Tudo!

O serviço deve ser executado de forma personalizada, com toda a atenção possível voltada para as especificidades do usuário, verificando o seu perfil, suas demandas, suas deficiências, só assim podemos entender o problema, a necessidade de informação do usuário, a questão inicial que ele coloca, fazer a leitura e a transcodificação criando a questão negociada, para depois elaborar a estratégia de busca e obter a resposta e a solução do problema inicial. São esses passos citados que compõem o processo de referência, segundo o teórico Grogan (1).

E se durante esse processo de comunicação tiver a chamada pelo nome, a aproximação e a troca de informações, sem deixar ruídos, com certeza o resultado final se dá com eficácia, traduzindo-se no desejo real do usuário. Usuário satisfeito é usuário que produz, que gera conhecimento e, sobretudo, que volta em busca de sempre mais, por isso o bibliotecário deve estar sempre atento, ser sensível e perspicaz.

O serviço de referência tem regras globais, mas, podemos (devemos) individualizar, chegar mais junto, tal como o Google fez hoje de forma simbólica.

(1) GROGAN, Denis. A prática do serviço de referência. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2001.


domingo, 15 de setembro de 2013

Arquivo de memória: violação de privacidade ou preservação de identidade?


Quem assiste Violação de privacidade e faz a leitura com o olhar da Arquivística, pode observar o rico contexto e a evidência de questões inerentes ao arquivo, tais como: a dicotomia entre público e privado, entre sigiloso e ordinário, entre intervenção e imparcialidade, informação e prova documental, os princípios da proveniência, da ordem original e da indivisibilidade, a seleção e avaliação e os recortes preservados para a guarda permanente.

Algumas assertivas de autores

Lidar com memória e informação é algo complexo e subjetivo. É necessário criar lugares para que a memória exista em algum lugar. São os “lugares da memória”, de que Nora (1993, p. 13) fala, nos quais, sem dúvida, os arquivos são incluídos. A memória requer indícios, vestígios, pois não é suficiente a rememorar pela oralidade, mas, sobretudo, pelas informações geradas através dos dados registrados em documentos.


Os lugares de memória nascem e vivem do sentimento de que não há memória espontânea, que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários, organizar celebrações, pronunciar elogios fúnebres, notarias atas, porque essas operações não são naturais.

Apesar de a memória natural das pessoas não dar conta de tudo, de fazer seleção, a seleção é feita pelo protagonista dela não por outra pessoa. 

É verdade, nós não nos lembramos de tudo o que aconteceu ou que nos foi ensinado ao longo de nossa vida. Descartamos a maioria das experiências vivenciadas e só retemos aquelas que possuem significados, isto é, são funcionais para nossa existência futura (VON SIMSON, 2000, p.15).

Para a interpretação correta do contexto que permeia sobre a situação, é necessário manter o conjunto, a integridade do que foi formado ao longo das atividades.

“[...] os fundos de arquivo devem ser preservados sem dispersão, mutilação, alienação, destruição não autorizada ou adição indevida [...]” (BELLOTTO, 2002, p. 21).

Há diferença entre memória ou informação.

[...] eles são memória, antes de ser informação. A informação tem qualquer coisa de neutra, de anônima. Os arquivos são práticas de identidade, memória viva, processo cultural indispensável ao funcionamento no presente e no futuro” (MATHIEU; CARDIN, 1990, p.114 apud JARDIM, 1995, p. 5). 


Algumas indagações de leitura e contexto
  • Onde está o limite entre o público e o privado? É correto ter acesso a todas as informações de vida de uma pessoa sem a sua permissão, desde as mais íntimas e reais até às imaginárias, e depois omitir parte delas para não prejudicar a sua memória quando já não está mais entre os vivos? 
  • Quando selecionamos para a guarda permanente, de certa forma não estamos elegendo algo a ser lembrado em detrimento a outro que será esquecido?
  • É correto usurpar a memória de outro para benefício próprio? 
  • O que pode ser descartado, memória ou informação? 
  • Se o acesso é permitido a privacidade pode ser violada?

Cenas do filme enfocando os pontos mencionados

O título original, The final cut remete de forma mais forte à questão da memória seletiva, já a tradução para o português valoriza a questão da privacidade, recorrendo às cenas dos filmes temos:


  • Uma empresa (Eye) detém uma tecnologia que permite o implante de um chip (Zoe) nos bebês para gravar todos os acontecimentos, memórias e lembranças durante a vida.


  • Um profissional especializado (cutter) em tratar informações e imagens gravadas no chip faz a seleção por intermédio de um programa (Guilhotine), para edição como um arquivo de memórias e divulgação em formato de filme, depois da morte do seu portador, em cerimônia de homenagem à vida da pessoa que se foi (rememória).

  • O objeto de trabalho do cutter é o chip, que serve de suporte de informação, muitos arquivos se formam com esse novo tipo de documento e chips de pessoas de toda sorte esperam o corte final.

  • O chip da vez é de um alto executivo da Empresa Eye, ele está pronto para ser editado...

  • Os equipamentos de edição ajudam ao editor de memórias nessa tarefa.

  • Ele precisa escolher as imagens e tem o poder de transformar um vilão em um herói, a partir da nova leitura feita na coletânea de cenas, depois dos cortes e montagem final.


  • Numa mesa complexa, cheia de telas e painéis, o cutter pratica o juízo final,

  • Brincando com a memória de quem já se foi, deletando, passando, modificando, alterando o contexto, para que façam uma boa leitura dos fatos que se sucederam na vida do morto.

  • Mas, fazendo a leitura nas passagens do cliente em edição, algo pessoal é preciso ser desvendado, nesse caso nenhum corte, cada detalhe deve ser percebido, é preciso conhecer o contexto original, fazer a leitura correta, questões pessoais estão em jogo.



  • Mesmo, que se tenha que correr riscos para se obter a prova documental e encerrar um processo.





BELLOTTO, Heloísa Liberalli. Arquivística: objetos, princípios e rumos. São Paulo: Associação de Arquivistas de São Paulo, 2002. 
JARDIM, J. M. A Invenção da memória nos arquivos públicos. Ciência da Informação, Brasília, v. 25, n. 2, 1995. p. 1-13. Disponível em: <http://revista.ibict.br/ciinf/index.php/ciinf/article/viewFile/439/397>. Acesso em: 15.09.2013. 
NORA, Pierre. Entre memória e história: a problemática dos lugares. Revista do Programa de Estudos Pós-graduados em História e do Departamento de História da PUC - SP, São Paulo, nº 10, p. 7-28, dez. 1993. Projeto História. Disponível em: <http://www.pucsp.br/projetohistoria/downloads/revista/PHistoria10.pdf>. Acesso em 15 set. 2013. 
VON, SINSON, Olga Rodrigues de Moraes. Memória, cultura e poder na sociedade do esquecimento. Augusto Guzzo Revista Acadêmica das Faculdades Integradas "Campos Salles", São Paulo, v.6, 2003. Disponível em: < 



 



FICHA TÉCNICA 



Lançamento: 8 de abril de 2005 (1h 44min) 

Gênero: Ficção Científica

Direção: Omar Naim

Roteiro: Omar Naim
Elenco: Genevieve Buechner, Jim Caviezel, Mira Sorvino, Robin Williams, Thom Bishops
Produção: Nick Weschler
Fotografia: Tak Fujimoto
Trilha Sonora: Brian Tyler
Gênero: Suspense, Ficção científica
Duração: 105 min.
Lançamento: 8 de abril de 2005 (1h 44min)



Algumas pessoas possuem em seu cérebro um implante de memória, comprado por seus pais antes mesmo de nascerem, que registra todos os fatos ocorridos em sua vida. Após sua morte este implante é retirado e, com o material nele existente, é editado um filme sobre a vida da pessoa, que é exibido em uma cerimônia póstuma chamada Rememória. Alan Hakman (Robin Williams) é o melhor montador de filmes para a Rememória em atividade, usando seu talento para preparar filmes que concedam a absolvição ao morto em relação aos erros por ele cometidos em vida. Por se dedicar ao trabalho, Alan se torna uma pessoa distante e incapaz de viver sua própria vida. Ele se considera uma espécie de "devorador de pecados", acreditando que seu trabalho seja um meio de perdoar os mortos e que, de alguma forma, este perdão também chegue para ele próprio. Porém, quando busca por material em um implante para a Rememória de um diretor da empresa que fabrica os chips, Alan encontra a imagem de uma pessoa que marcou sua infância. É quando Alan decide iniciar uma busca pela verdade sobre esta pessoa, em uma tentativa pessoal de conseguir sua redenção por um erro do passado.


Fonte: Adoro Cinema


segunda-feira, 9 de setembro de 2013

Administração: algo grandioso, sem dimensão!




Administradores!
Cenários, estratégia, eficácia,
Liderança, qualidade e bons indicadores.

Conquistadores!
Desempenho, desafios, metas,
Lucros, resultados e mais consumidores.

Mantenedores!
Capital, aplicação, 
antecipação,
Previsão, negociação com fornecedores.

Articuladores!
Diversificação, risco, investimento,
Tecnologia, maximização e mais vetores.

Inovadores!
Humanização, desafio, observação,
Leitura, criação e novos valores.

Vencedores!
Batalha, ameaças, crises, 
Oportunidades, contextos fomentadores. 

Administrador, quando conquista, luta para manter, porém, se preciso for, se articula, inova, vai além, vencedor!

Parabéns a todos os administradores!

AnaLu


domingo, 8 de setembro de 2013

Passeio pelo livro: entre verbos e substantivos

















Não me livro desse livro, 
Porque gosto do seu gosto, 
Daí vivo com o olho vivo 
Nesse livro que não me livro! 

Começo pela orelha, é um começo e tanto... 
Caminho pelo prefácio, é um caminho fácil! 
Dou um passo e passo à frente, 
Dou um pulo e pulo a página. 

Uso a marca, mas, é ele quem me marca, 
Dou o troco, mas não troco, 
Parece cola, por que me cola? 
Leitura larga, minha mão não larga. 

Passeio entre verbos e substantivos, passeio bem instintivo.
Caminho entre preposições e conjunções, caminho cheio de ações.
Vivo entre sujeitos e predicados, vivência com muitos significados.
Encontro adjuntos e objetos, encontro carregado de afetos.

Finalmente termino... Término? Não!
Hora de novo começo, logo começo outro,
Ele me traz conforto, conforto alguém também,
Vivo nova aventura, quem se aventura além?

Não me livro desse livro,
Porque gosto da leitura,
Daí vivo com o olho vivo
No contexto desse livro!


AnaLu 


sábado, 7 de setembro de 2013

Leitura: Independência!




Independência! 
Porque posso ler.

Consciência! 
Porque posso entender.

Paciência! 
Porque posso aprender.

Competência! 
Porque posso fazer.

Reticência! 
Porque posso compartilhar...

Abrangência! 
Porque posso disseminar.

Docência! 
Porque posso ensinar.

Insistência! 
Porque posso continuar...



Independência! 

Porque posso ler...

Independente do contexto...
Leitura!


AnaLu


domingo, 1 de setembro de 2013

"Gente que goste de gente"

Textos bons são para serem compartilhados e como esse tem a ver com as duas postagens anteriores, que tratam de educação e aprendizagem, achei por bem transcrevê-lo para este espaço de leitura e contexto, porque, fazendo a leitura do contexto, podemos entender que gostar de gente é essencial à educação e à vida.

Biblioteca e parceria pedagógica, que ressalta o Bibliotecário, Somos eternos estudantes, dando enfoque aos alunos e agora, "Gente que goste de gente", ressaltando a figura do professor, apesar de textos independentes, criou-se a tríade oportuna: bibliotecário, aluno e professor.

Vamos ao texto de Maria Elaine Cambraia!


CONTRATA-SE GENTE QUE GOSTE DE GENTE
POR MARIA ELAINE CAMBRAIA



Fazemos parte de uma sociedade onde tudo acontece e “deve” acontecer rapidamente. Não conseguimos mais esperar pelas coisas, pelas pessoas, pelos acontecimentos. Queremos tudo rápido e de preferência pronto. Não conseguimos esperar pelo elevador, a nossa internet que é lenta demais, se tem fila reclamos que vamos perder muito tempo nela, mas queremos aquilo que se encontra ao final da fila... Esse é um dos dilemas atuais da nossa sociedade, a gestão do tempo. Num mundo que muda tão rapidamente, nos cobramos também o tempo todo uma adaptação a essas mudanças que ainda não estamos preparados. Queremos dar conta de tudo, queremos ser ótimos profissionais, esposas, maridos, filhos, professores, amigos, amantes, estar em plena forma física e magros, bonitos, alegres e bem humorados. Queremos aquilo que é impossível conseguir de uma só vez e ao mesmo tempo. Diante disso, exigimos dos outros, dos serviços e da vida a mesma presteza, iniciativa e rapidez.

A questão se complica quando lidamos com aprendizagem. Educação e aprendizagem estão relacionadas a convívio, à observação, à assimilação e às devidas integrações e sínteses. O processo de ensinar e aprender envolve pessoas em relação: elas e suas histórias de vida; elas e o conhecimento; elas e outras formas de viver e de pensar (Parolin I., p.148 – Professores formadores).

Nesse sentido, o professor é hoje, mais do que nunca, alguém que tem um papel relevante na formação integral do sujeito, alguém imprescindível que também apresenta o mundo ao aluno, com sua forma particular de vivenciar a realidade. E sendo assim, precisa fazer com seus alunos apresentem resultados positivos em relação aquilo que aprendem. Se precisa conseguir resultados com e através das pessoas é um líder. E ser líder não é conseguir adeptos a qualquer custo, mas promover a adesão espontânea de seu aluno em relação à aprendizagem. Seu aluno tem que querer aprender, porque é com este ou aquele professor que o vínculo foi criado e estabelecido. Não se aprende com qualquer um, elegemos com quem iremos aprender. 

Por outro lado, vivemos um momento na área educacional em que o aluno precisa de muitas coisas: precisa querer estudar, precisa estar motivado, precisa ter vontade de ir à escola, precisa de estímulos positivos para prestar atenção às aulas, precisa de uma aula diferente a cada dia senão desmotiva, enfim, precisa de uma série de situações e exigências de hoje em dia, pois caso contrário a sua aprendizagem ficará comprometida. E a culpa não é dele. Afinal, o professor precisa se virar em 10 para dar conta de todos e, ao mesmo tempo, lidar com as necessidades individuais, trabalhar com a inclusão, elaborar planejamentos impecáveis, prazos para tudo, corrigir, revisar e reavaliar as provas, entender das dificuldades de aprendizagem e ter estratégias para lidar com cada uma delas e com cada aluno (afinal , eles são diferentes e precisam de um atendimento personalizado!) e, isso tudo, sem se esquecer que o professor tem mais 25 dentro da sala. Mas só no período da manhã, porque no turno da tarde ele tem mais 35 alunos com as mesmas exigências, mas necessidades diferentes. É preciso de tanto e de tantas coisas, mas não sabemos o que realmente precisa ser feito. Cobram-nos tanto, mas esquecemos do essencial: estamos lidando com gente, com seres humanos, com almas, com corações, todos os dias, o tempo todo... 

Essa reflexão nos leva a um caminho sem fim, pois uma coisa leva à outra e voltamos ao início da reflexão. Ao analisarmos as necessidades educacionais hoje, veremos que a forma como ensinamos precisa ser revista e melhorada. Por outro lado, percebemos também que o aluno de hoje exige tantas competências e habilidades do professor que não consigo imaginar como seria esse profissional. Nem como seriam essas aulas ideiais. O que percebo como educadora são pais sem condições de dar limites aos filhos e suas exigências cada vez mais infundadas e intermináveis. Percebo um mercado de trabalho que cobra cada vez mais qualificação e títulos, mas se esquece do principal: como se lida com gente? Percebo pessoas, educadores ou não, cada vez mais incapacitados para lidar com as diferenças individuais, com os desafios da convivência, agindo como se fossem crianças, brigando por motivos frívolos e incapazes de trabalhar em parceria com outros. A competitividade e a intolerância em relação às pessoas, tornou-se algo natural nos ambientes de trabalho. Isso também se aplica nas relações interpessoais. 

A convivência é hoje, a meu ver, o grande desafio de todos, profissionais da educação ou não. Mas especialmente na educação, onde teoricamente, se trabalha e contribui na formação de outro ser humano, seria imprescindível que os ditos “educadores” soubessem lidar, e gostar de gente. Precisamos urgentemente de gente que goste de gente. De pessoas que gostem de conviver com outras pessoas e que estudem sobre isso. Que entendam do seu objeto de trabalho. É verdade que nunca estamos prontos, mas é preciso desejar isso. É preciso querer entender sobre relacionamento humano. E para isso precisamos começar a olhar primeiro para dentro de nós mesmos. Queremos mudar tantas coisas, mas não queremos ter o trabalho nem de pensar nas possibilidades de mudança em nós mesmos. Não queremos entender como funcionamos por dentro, pois achamos que a experiência de anos em sala de aula nos tornou aptos e capacitados. Ledo engano. A educação só vai caminhar e se transformar no dia em que nos transformarmos em educadores em formação, em constante transformação. Quem sabe assim consigamos enxergar o que ninguém quer ver: que somos todos iguais em nossas necessidades, e só podemos avançar com ajuda do outro. Quem sabe assim seremos capazes de enxergar com a alma ao invés dos olhos... 

Maria Elaine A. Cambraia – Psicóloga, Educadora, Consultora Educacional e palestrante. 

Visualização em cache (Este é o cache do Google de http://www.gestaoeducacional.net/artigo.php?id_artigo=3. Ele é um instantâneo da página com a aparência que ela tinha em 13 ago. 2013.

sábado, 31 de agosto de 2013

Somos eternos estudantes

A busca do conhecimento se inicia a partir da interação com o meio e da leitura do contexto.

Todo dia é dia de se aprender mais... Tudo começa quando alguma coisa nos incomoda, chamando a nossa atenção. Sentimos a necessidade de superar esse obstáculo, de ir além, de desvendar o novo, de aprender, por isso, somos eternos estudantes.

Enquanto alunos, segundo o psicólogo cognitivista americano George Miller (1956), durante o processo de aprendizagem, passamos por quatro fases, que somadas, constituem uma trajetória gradativa:


  1. Incompetência inconsciente (estágio de ignorância) - Estamos na zona de conforto, por não conhecermos o objeto, não sabemos que não sabemos. 
  2. Incompetência consciente (estágio de confusão) - Mas, a curiosidade ou a necessidade bateu à porta, foi preciso buscar o objeto e daí ficamos surpresos com um mundo desconhecido, há tanto o que aprender! Sabemos que nada sabemos. 
  3. Competência consciente (estágio de conhecimento) - Com dedicação e persistência estudamos o objeto desconhecido e conseguimos aprender. Sabemos que sabemos.
  4. Competência inconsciente (estágio de Sabedoria) - Agora é preciso ir além, internalizar o conhecimento, conhecemos muito bem o objeto e, por isso, podemos libertar nossas atenções para outras coisas. É tão natural, que não sabemos que sabemos.




Quando nos deparamos com outro objeto desconhecido, retornamos sempre ao início e fazemos toda a trajetória desse novo contexto. Se conhecemos bem esse processo constante de ir e vir, fica mais fácil entender e passar de uma fase para outra, buscando sempre o progresso.

É óbvio que a prática da leitura contribui de forma positiva, auxilia na compreensão, torna o processo mais célere, desvendando os mistérios do desconhecido.