Desbaste e descarte em bibliotecas são atividades distintas, fundamentais para o desenvolvimento e a manutenção de coleções bibliográficas atualizadas, úteis e alinhadas às necessidades dos usuários e aos objetivos da instituição.
O desbaste consiste na retirada temporária de materiais do acervo de acesso direto ao público, sem que isso implique, necessariamente, em eliminação. Seu objetivo é melhorar a qualidade, a organização e a utilização da coleção. Entre os principais critérios para o desbaste estão:
- Baixa frequência de uso ou empréstimo;
- Conteúdo desatualizado;
- Existência de exemplares em excesso;
- Obras substituídas por edições mais recentes;
- Materiais em mau estado físico;
- Inadequação ao perfil da comunidade atendida.
Os materiais desbastados podem ser transferidos para depósitos, coleções especiais, setores de preservação ou aguardar avaliação para descarte.
Já o descarte, é a retirada definitiva de materiais do acervo. Trata-se de uma decisão técnica que deve seguir a política de desenvolvimento de coleções da instituição e ser devidamente documentada. Os principais motivos para descarte incluem:
- Informações obsoletas ou incorretas;
- Danos físicos irreversíveis;
- Duplicatas sem demanda de uso;
- Perda da relevância para os objetivos da biblioteca;
- Impossibilidade ou inviabilidade de recuperação do material.
Após o descarte, os materiais podem ser destinados à doação, permuta, reciclagem ou eliminação, conforme as normas institucionais e a legislação aplicável.
Toda biblioteca deve estar de olho nessas duas atividades, pois ambas contribuem para melhorar a gestão da coleção da seguinte forma:
- mantêm o acervo atualizado e relevante;
- otimizam o espaço físico disponível;
- facilitam a localização dos materiais pelos usuários;
- direcionam recursos para a aquisição de obras mais adequadas às demandas informacionais.
Portanto, tanto o desbaste como o descarte não representam a perda de patrimônio bibliográfico, mas sim ações estratégicas de gestão que garantem a qualidade, a eficiência e a atualidade do acervo da biblioteca.
Em relação ao desbaste, Vergueiro (2010) deixa claro que retirar um livro da estante é tão importante para a saúde da biblioteca quanto adquirir um novo. Quanto ao descarte, ele enfatiza que não deve ser visto como um ato de destruição, mas sim como uma atividade gerencial indispensável para manter a coleção viva, atualizada e perfeitamente sintonizada com as reais necessidades dos usuários e com os objetivos da instituição.
VERGUEIRO, Waldomiro. Seleção de materiais de informação: princípios e técnicas. 3. ed. Brasília, DF: Briquet de Lemos, 2010.
