terça-feira, 9 de junho de 2026

Arquivo na mídia

O Dia Internacional dos Arquivos é celebrado anualmente em 9 de junho. A data que vai muito além de uma simples comemoração, ela serve para nos lembrar de que os arquivos são a base da nossa memória coletiva, da Governança corporativa,  da transparência pública e da garantia dos nossos direitos como cidadãos.

​A data não surgiu por acaso, ela faz referência direta à criação do Conselho Internacional de Arquivos (ICA), fundado sob os auspícios da UNESCO em 9 de junho de 1948.


​No entanto, a criação de um dia internacional específico para celebrar a causa só foi instituída oficialmente em novembro de 2007, durante a Assembleia Geral do ICA no Quebec, passando a ser comemorada globalmente a partir de 2008.

​Muitas vezes, quem é leigo no assunto pensa em arquivos como caixas empoeiradas, depositadas em subsolos desabitados, portanto, em algo sem importância, desvalorizado. Mas a arquivística moderna, que não é de agora, lida com preservação histórica, acesso rápido à informação e com dados digitais. Diante disso, faz-se necessário esclarecer a importância dos arquivos para esse público. Podemos citar três papéis fundamentais na sociedade: 
​E se os arquivos servem à sociedade, antes de tudo servem à própria instituição a que eles pertencem, auxiliando na tomada de decisão, servindo de prova documental e resguardando a memória.

Por conta da riqueza do tema, o Conselho Internacional de Arquivos e diversas instituições pelo mundo (como o Arquivo Nacional no Brasil e a Torre do Tombo em Portugal) costumam estender as comemorações por uma semana inteira, promovendo palestras, exposições virtuais, workshops e abertura de acervos ao público.

​No ambiente digital de hoje, o maior desafio dos arquivos é a preservação digital a longo prazo, para garantir que os arquivos gerados hoje em computadores e redes sociais ainda possam ser abertos e lidos pelas próximas gerações.

sábado, 6 de junho de 2026

Anotações em livros ou marginália

Sabe quando você está lendo um livro e não aguenta a emoção, aí vai lá e escreve algo do lado do parágrafo? Ou quando puxa uma seta para anotar o significado de uma palavra difícil? Ou ainda quando grifa trechos que achou interessante? 


Tecnicamente, essas anotações são chamadas de margináliaMarginália é o conjunto de anotações / marcações que um leitor faz nas margens, espaços em branco ou folhas de guarda de um livro impresso ou manuscrito. Funciona como uma "coautoria silenciosa", um diálogo ativo onde o leitor registra pensamentos, críticas ou reações ao texto. Essas marcações vão desde notas e comentários, concordando ou discordando do autor, passando por desenhos, sejam ilustrações sérias ou mesmo desenhos aleatórios feitos por puro tédio na hora da leitura, rabiscos, até sinais gráficos como estrelas, pontos de interrogação, exclamações ou o clássico ato de grifar o texto.

Enquanto a marginália é qualquer rastro que o leitor deixa no papel, a glosa nasceu como uma ferramenta de estudo para tornar um texto compreensível. Sem as glosas dos estudiosos do passado, muito comuns em textos antigos e livros medievais e renascentistas, teriam se tornado completamente ilegíveis para nós hoje.

​Para alguns leitores mais puristas, riscar um livro é quase um crime. No entanto, para historiadores e literatos, a marginália é uma mina de ouro. Pode revelar o processo intelectual de leitores famosos ou fornecer contexto histórico sobre como uma obra foi recebida

Se atentarmos para o fato, é muito comum, dizermos que um livro imaculado é apenas um produto, já um livro anotado é uma memória viva. Claro que estou falando de livros pessoais. Anotações em livros de biblioteca ou livros emprestados por alguém, nem pensar, pois já se trata de vandalismo.

A marginália transforma o livro de um objeto de consumo passivo em um registro de um diálogo entre o autor e o leitor. Funciona como pontes que ignoram a cronologia, são atemporais, porque as anotações são do tempo de quem leu a obra, por isso podem se tornar preciosas no futuro. Quando feitas por alguma personalidade do passado e descobertas depois de tempos, com certeza serão motivo de pesquisa ou pelo menos conseguimos entender o que a pessoa daquela época pensava e como a sociedade absorvia aquela obra. Sabemos que algumas marginálias se tornaram documentos históricos.
Dentre os escritores brasileiros, podemos citar a marginália de Machado de Assis. É tão importante que, anos após sua morte, pesquisadores e críticos literários publicaram estudos inteiros baseados apenas no que ele escreveu nas bordas dos livros. Um diálogo íntimo, silencioso e anotado a lápis com os maiores clássicos da literatura mundial.

​Em resumo, a marginália é a prova física de que a leitura é um ato vivo. É a pegada que o leitor deixa na neve do texto do autor, é a forma física de registrar o pensamento do leitor, um grafite pessoal e, muitas vezes, intelectual, que habita os limites do texto impresso.
Você é do time que mantém seus livros impecáveis ou do time que adora deixar suas próprias marginálias neles?

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Estantes bangunçadas, usuários satisfeitos!

Acesso livre às estantes é um problema nas bibliotecas? Jamais!

O acesso livre às estantes é a oportunidade que os usuários têm do contato direto com as obras para que possam fazer suas escolhas mais acertadas. É a autonomia que eles precisam para resolver suas demandas informacionais. É a liberdade que necessária para que a biblioteca atraia novos leitores.

O que acontece geralmente é quase um ritual. Ele pega um livro, dá uma lida lá na estante mesmo, se interessa, acha por bem sentar para ler mais profundamente. Daí conclui que não era bem isso que queria, retorna às estantes, coloca em qualquer lugar e assim, as obras vão andando, se deslocando, porque já vem outro em seguida e tem o mesmo comportamento. 

É nessa hora que as ciências se encontram e se abraçam de qualquer jeito, mesmo uma não tendo nada a ver com a outra. O Dewey quase infarta! Livro de sociologia indo parar nas finanças, livro de tecnologia na literatura, livro de marketing na psicologia aplicada e assim por diante... 

Imagem criada por IA a partir do trecho acima

Mas, estantes bagunçadas é sinal de usuários satisfeitos. O problema ocorre quando precisamos localizar uma publicação que ganhou pernas e foi parar, sabe-se lá onde.

Mesmo com a orientação para não colocarem de volta às estantes os livros manuseados/retirados, eles ainda o fazem. E é por isso que mantemos a rotina de revisar a organização dos livros nas estantes conforme a Classificação Decimal Dewey (CDD). O bibliotecário norte-americano de quem falei acima é o idealizador desse sistema que põe ordem ao caos nas bibliotecas.

E, trazendo para a minha realidade de trabalho, é nessa hora que conto com o trabalho primoroso e dedicado do estagiário de Biblioteconomia, Alexsander Lima, da Biblioteca Francisco Freitas Cordeiro, da Faculdade CDL, da qual sou a bibliotecária responsável. Ele simplesmente, em poucos dias, colocou a ordem no caos. Além de obedecer rigorosamente à classificação, colocou a ordem nos exemplares da mesma obra e os alinhou nas prateleiras.

E agora as estantes estão prontas para serem novamente mexidas, porque o que vale é o movimento, é o folhear, é a curiosidade, mesmo que não seja dessa vez a conquista. De uma forma ou de outra o leitor volta e aí nessa hora é fisgado pelo que realmente lhe interessa.  

Mas, por prudência, ficaremos sempre de olho 👁 para não deixar o caos retornar.

Este texto foi incentivado pela postagem no LinkedIn de Daniel Strauch e pela tarefa executada por Alexsander Lima, na Biblioteca da Faculdade CDL.