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sábado, 6 de junho de 2026

Anotações em livros ou marginália

Sabe quando você está lendo um livro e não aguenta a emoção, aí vai lá e escreve algo do lado do parágrafo? Ou quando puxa uma seta para anotar o significado de uma palavra difícil? Ou ainda quando grifa trechos que achou interessante? 


Tecnicamente, essas anotações são chamadas de margináliaMarginália é o conjunto de anotações / marcações que um leitor faz nas margens, espaços em branco ou folhas de guarda de um livro impresso ou manuscrito. Funciona como uma "coautoria silenciosa", um diálogo ativo onde o leitor registra pensamentos, críticas ou reações ao texto. Essas marcações vão desde notas e comentários, concordando ou discordando do autor, passando por desenhos, sejam ilustrações sérias ou mesmo desenhos aleatórios feitos por puro tédio na hora da leitura, rabiscos, até sinais gráficos como estrelas, pontos de interrogação, exclamações ou o clássico ato de grifar o texto.

Enquanto a marginália é qualquer rastro que o leitor deixa no papel, a glosa nasceu como uma ferramenta de estudo para tornar um texto compreensível. Sem as glosas dos estudiosos do passado, muito comuns em textos antigos e livros medievais e renascentistas, teriam se tornado completamente ilegíveis para nós hoje.

​Para alguns leitores mais puristas, riscar um livro é quase um crime. No entanto, para historiadores e literatos, a marginália é uma mina de ouro. Pode revelar o processo intelectual de leitores famosos ou fornecer contexto histórico sobre como uma obra foi recebida

Se atentarmos para o fato, é muito comum, dizermos que um livro imaculado é apenas um produto, já um livro anotado é uma memória viva. Claro que estou falando de livros pessoais. Anotações em livros de biblioteca ou livros emprestados por alguém, nem pensar, pois já se trata de vandalismo.

A marginália transforma o livro de um objeto de consumo passivo em um registro de um diálogo entre o autor e o leitor. Funciona como pontes que ignoram a cronologia, são atemporais, porque as anotações são do tempo de quem leu a obra, por isso podem se tornar preciosas no futuro. Quando feitas por alguma personalidade do passado e descobertas depois de tempos, com certeza serão motivo de pesquisa ou pelo menos conseguimos entender o que a pessoa daquela época pensava e como a sociedade absorvia aquela obra. Sabemos que algumas marginálias se tornaram documentos históricos.
Dentre os escritores brasileiros, podemos citar a marginália de Machado de Assis. É tão importante que, anos após sua morte, pesquisadores e críticos literários publicaram estudos inteiros baseados apenas no que ele escreveu nas bordas dos livros. Um diálogo íntimo, silencioso e anotado a lápis com os maiores clássicos da literatura mundial.

​Em resumo, a marginália é a prova física de que a leitura é um ato vivo. É a pegada que o leitor deixa na neve do texto do autor, é a forma física de registrar o pensamento do leitor, um grafite pessoal e, muitas vezes, intelectual, que habita os limites do texto impresso.
Você é do time que mantém seus livros impecáveis ou do time que adora deixar suas próprias marginálias neles?

quinta-feira, 4 de junho de 2026

Estantes bangunçadas, usuários satisfeitos!

Acesso livre às estantes é um problema nas bibliotecas? Jamais!

O acesso livre às estantes é a oportunidade que os usuários têm do contato direto com as obras para que possam fazer suas escolhas mais acertadas. É a autonomia que eles precisam para resolver suas demandas informacionais. É a liberdade que necessária para que a biblioteca atraia novos leitores.

O que acontece geralmente é quase um ritual. Ele pega um livro, dá uma lida lá na estante mesmo, se interessa, acha por bem sentar para ler mais profundamente. Daí conclui que não era bem isso que queria, retorna às estantes, coloca em qualquer lugar e assim, as obras vão andando, se deslocando, porque já vem outro em seguida e tem o mesmo comportamento. 

É nessa hora que as ciências se encontram e se abraçam de qualquer jeito, mesmo uma não tendo nada a ver com a outra. O Dewey quase infarta! Livro de sociologia indo parar nas finanças, livro de tecnologia na literatura, livro de marketing na psicologia aplicada e assim por diante... 

Imagem criada por IA a partir do trecho acima

Mas, estantes bagunçadas é sinal de usuários satisfeitos. O problema ocorre quando precisamos localizar uma publicação que ganhou pernas e foi parar, sabe-se lá onde.

Mesmo com a orientação para não colocarem de volta às estantes os livros manuseados/retirados, eles ainda o fazem. E é por isso que mantemos a rotina de revisar a organização dos livros nas estantes conforme a Classificação Decimal Dewey (CDD). O bibliotecário norte-americano de quem falei acima é o idealizador desse sistema que põe ordem ao caos nas bibliotecas.

E, trazendo para a minha realidade de trabalho, é nessa hora que conto com o trabalho primoroso e dedicado do estagiário de Biblioteconomia, Alexsander Lima, da Biblioteca Francisco Freitas Cordeiro, da Faculdade CDL, da qual sou a bibliotecária responsável. Ele simplesmente, em poucos dias, colocou a ordem no caos. Além de obedecer rigorosamente à classificação, colocou a ordem nos exemplares da mesma obra e os alinhou nas prateleiras.

E agora as estantes estão prontas para serem novamente mexidas, porque o que vale é o movimento, é o folhear, é a curiosidade, mesmo que não seja dessa vez a conquista. De uma forma ou de outra o leitor volta e aí nessa hora é fisgado pelo que realmente lhe interessa.  

Mas, por prudência, ficaremos sempre de olho 👁 para não deixar o caos retornar.

Este texto foi incentivado pela postagem no LinkedIn de Daniel Strauch e pela tarefa executada por Alexsander Lima, na Biblioteca da Faculdade CDL.

domingo, 3 de maio de 2026

Livros nunca são demais

Livros nunca são demais, enriquecem,  complementam e embelezam o ambiente, proporcionando a oportunidade de ampliar o conhecimento.


Na Iceland, depois de uma saborosa pizza e um delicioso gelado, uma leitura para alimentar também a mente.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2026

Leitor viaja por aí...

Hoje, celebramos quem abre e lê livros, e com eles amplia o olhar sobre a vida.

Ler é um ato de atenção às ideias, às pessoas, às histórias, aos lugares e às transformações do mundo.

O leitor não corre o risco de passar pelos dias sem perceber nuances, sentidos e possibilidades. Ele percebe tudo isso.

A leitura desperta, provoca, questiona e conecta tudo a todos. É por meio dela que compreendemos melhor tudo que nos cerca e a nós mesmos.

Eu estou lendo "Bibliotecas no Mundo Antigo", de Lionel Casson, e viajando por esse mundo. E você?

Seja leitor! 📚


sábado, 3 de janeiro de 2026

Haja bibliotecas!


Iniciando o ano com a leitura de "Bibliotecas no Mundo Antigo", de Lionel Casson, da Editora Vestígio.


Foi presente de Natal da minha filha e já iniciei a leitura. Além das bibliotecas citadas, há todo um contexto histórico em volta da existência e uso de cada uma delas.


O autor, que foi um renomado especialista em história clássica, traça uma linha do tempo que vai desde as tabuletas de argila da Mesopotâmia até a transição para as bibliotecas monásticas da Idade Média.

Digo "haja bibliotecas!" porque para o contexto do mundo antigo, com a dificuldade para reprodução dos livros, quando era usado o trabalho dos copistas, as que existiam, já eram em número considerável.

Não há um número exato de bibliotecas no mundo antigo, mas existiram dezenas, talvez centenas, desde as primeiras em tábuas de argila na Mesopotâmia, passando por centros icônicos como Alexandria e Pérgamo, até as muitas bibliotecas públicas e imperiais em Roma, com cerca de 13 na época de Augusto, consolidando-se como centros de cultura e poder em diversas civilizações antigas.

Seguem alguns dos principais exemplos e contextos, segundo o autor:

As origens no Oriente Próximo

​O livro começa demonstrando que as primeiras "bibliotecas" não eram centros de lazer, mas arquivos administrativos e reais. As primeiras bibliotecas surgiram na Mesopotâmia (2º milênio a.C.), com coleções de tábuas de argila, como a lendária biblioteca de Assurbanipal em Nínive.​

Tabuletas de argila: na Suméria, Babilônia, os "livros" eram feitos de argila.

Biblioteca de Assurbanípal: Casson destaca a biblioteca do rei assírio em Nínive como o primeiro exemplo de uma coleção organizada sistematicamente, contendo textos literários, religiosos e científicos, além de documentos governamentais.

​A Revolução Grega e o papiro

​Com a introdução do papiro (vinda do Egito) e o florescimento da cultura grega, a leitura deixou de ser apenas uma ferramenta estatal para se tornar parte da educação (paideia) e do lazer. Surgem bibliotecas privadas e Aristóteles é citado como um dos primeiros grandes colecionadores de livros, cuja biblioteca serviu de modelo para o que viria a ser o padrão helenístico.


​Um capítulo central é dedicado a Alexandria. Casson explica como os Ptolomeus buscaram "coletar todos os livros do mundo".Grécia e Helenismo: cidades como Alexandria e Pérgamo abrigavam grandes bibliotecas, famosas por seus vastos acervos de papiros e pergaminhos e por atraírem estudiosos.

Sobre a organização, ele detalha o trabalho dos bibliotecários (como Calímaco), que criaram os primeiros catálogos (Pinakes), estabelecendo métodos de classificação que influenciaram bibliotecas por séculos.

Sobre a concepção de biblioteca da época, esta não era apenas um depósito, mas parte de um centro de pesquisa (o Museion).

Roma: bibliotecas públicas e status

​Os romanos inicialmente adquiriram bibliotecas como espólios de guerra das cidades gregas. A Roma Antiga desenvolveu bibliotecas importantes, como as de Augusto e Trajano, com milhares de rolos e espaços dedicados à leitura, refletindo o apreço pela cultura grega e latina.​

Bibliotecas públicas: Júlio César planejou e Augusto executou a criação de bibliotecas abertas ao público. Em Roma, era comum as bibliotecas terem duas seções: uma para textos em grego e outra para textos em latim.

Arquitetura: Casson descreve como eram os prédios: nichos nas paredes para guardar os rolos (volumina) e espaços para leitura com luz natural.

Havia bibliotecas em outras Localizações como em villas (Vila dos Papiros em Herculano), templos, e até mesmo coleções particulares, mostrando a disseminação do hábito de guardar livros.​

Mudanças tecnológicas: do rolo ao códice

​O autor explica a transição crucial do rolo de papiro para o códice (o formato de livro com páginas encadernadas que usamos hoje). O códice era mais prático para consulta e permitia escrever nos dois lados, além de ser mais durável por usar pergaminho (pele de animal).


​O livro termina mostrando como a ascensão do Cristianismo mudou o foco das bibliotecas. Com o declínio do Império Romano, as grandes bibliotecas públicas desapareceram, e o conhecimento passou a ser preservado quase exclusivamente em mosteiros, onde o foco era o estudo de textos sagrados, mas onde os monges copistas também acabaram salvando muitos textos clássicos da antiguidade.

Embora seja impossível quantificar todas, o mundo antigo foi rico em bibliotecas, que variavam de grandes instituições estatais a coleções privadas, essenciais para a preservação do conhecimento.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

Leitura: vantagem competitiva


Janeiro está chegando. É o mês das resoluções, mas poucas escolhas são tão transformadoras quanto decidir que este será o ano da leitura. Ler não é apenas um hobby ou uma forma de entretenimento, é um investimento estratégico no seu capital intelectual.

Se você busca se destacar em um mundo saturado de informações superficiais, aqui estão os motivos para você abrir um livro hoje mesmo, porque ler é sua maior vantagem competitiva.
  • Foco e profundidade (Deep Work): em uma era de vídeos curtos e atenção fragmentada, a leitura treina seu cérebro para manter a concentração por longos períodos. Essa é uma habilidade rara e extremamente valorizada no mercado de trabalho atual.
  • Expansão do repertório: leitores conectam pontos que outros não veem. Ao ler, você "empresta" a mente de grandes pensadores, economistas e visionários, adquirindo décadas de experiência em poucas horas de leitura.
  • Redução do estresse e saúde mental: a ciência comprova que apenas seis minutos de leitura podem reduzir os níveis de estresse em até 68%, preparando sua mente para tomar decisões melhores e mais calmas.
  • Domínio da linguagem: quem lê bem, comunica-se melhor. A clareza na escrita e a fluência na oratória são subprodutos diretos do hábito de ler, conferindo autoridade instantânea em qualquer ambiente.
Como começar (e manter) o hábito em 2026? Não tente ler 50 livros no primeiro mês. A consistência vence a intensidade:
  • A regra das 10 páginas: comprometa-se a ler apenas 10 páginas por dia. É um objetivo pequeno demais para falhar.
  • Substitua o "Scroll" pelo livro: troque os 15 minutos de redes sociais antes de dormir ou ao acordar por um capítulo.
  • Diversifique os formatos: se o dia for corrido, utilize audiobooks. O importante é o consumo do conteúdo e a expansão do conhecimento.
Que tal começar agora? Bora ler?


Escolha aquele livro que está na estante pegando pó ou peça uma recomendação. O conhecimento é a única vantagem competitiva que ninguém pode tirar de você.

domingo, 9 de novembro de 2025

Orçamento para biblioteca

Orçamento para bilioteca, coisa difícil de existir, arrisco até a dizer, rara de ocorrer em certas instituições. Geralmente, os recursos vêm da entidade mantenedora ou daquela a que está diretamente subordinada, ou seja, não há autonomia.

O ideal é realmente definir um orçamento mensal por menor que seja, dessa forma o acervo cresce bem atualizado. Foi isso que fiz quando assumi a biblioteca do então Banco do Estado do Ceará, ainda na década de 80, atualizando as instruções de serviço (IS 22-Biblioteca), que passou a estabeler um salário mínimo mensal para compra de livros, a partir de então. 

Mas, se não há um orçamento definido na instituição (na maioria das bibliotecas é assim), pelo menos as verbas resultantes das multas aplicadas pela devolução em atraso podem ser adotadas como uma pequena verba mensal para este fim, afinal são recursos que ela mesma gerou decorrentes de sua atividade. Foi o que fiz na Biblioteca da Faculdade CDL, em 2018, que, inclusive, passou a constar como item no Plano de contingência do acervo.


Vamos considerar a existência de um orçamento próprio, para falar de como deve ser a sua gestão. A preparação do orçamento para a compra de livros é uma atividade estratégica na gestão de uma biblioteca. Para garantir que seja eficiente e alinhado às necessidades do acervo e dos usuários, deve-se seguir uma série de atitudes e procedimentos. Aqui está um guia com os passos essenciais.

I. Planejamento, com a revisão da Política de Desenvolvimento de Coleções (PDC):

  • ​garanta que o orçamento reflita as diretrizes e prioridades estabelecidas na PDC da biblioteca (áreas temáticas, tipos de material, nível de profundidade, idiomas, etc.);
  • analise as necessidades do acervo e usuários, tomando como base os dados concretos, não apenas as suposições;
  • levante as sugestões, reunindo e analisando as demandas de compra da comunidade (professores, alunos, pesquisadores, público em geral);
  • analise o uso, verificando estatísticas de empréstimo e consulta para identificar áreas de alta demanda (que precisam de mais exemplares) e áreas deficientes;
  • verifique a questão da obsolescência e danos, identificando os títulos desatualizados ou em mau estado que precisam ser substituídos ou comprados em nova edição;
  • considere as bibliografias dos cursos, básicas e complementares (se for uma biblioteca acadêmica), seguindo as diretrizes e normas institucionais e regulatórias do MEC;
  • seja realista, priorize as compras essenciais, tais como material didático obrigatório, obras de referência, títulos de alta demanda);
  • classifique os pedidos e as áreas em níveis de prioridade (alta, média, baixa) para garantir que os recursos limitados sejam gastos nas necessidades mais urgentes.

​II. Procedimentos de cálculo e orçamento, com uma pesquisa e cotação de preços, para ter uma estimativa de custo:

  • busque a melhor relação custo-benefício e transparência;
  • faça pesquisa de mercado com a cotação de preços dos títulos prioritários em pelo menos três fontes (livrarias, editoras e fornecedores especializados), para obter uma estimativa de preço justo e real.
  • avalie a possibilidade de descontos para grandes volumes ou aquisição direta com editoras.
  • lembre-se que pode haver custos adicionais, inclua no orçamento custos como frete, impostos (se aplicável), e possíveis taxas de processamento técnico (se terceirizado);
  • distribua os recursos de forma equilibrada, locação por área/disciplina;
  • divida o orçamento total em categorias (Ex: Ciências Humanas, Exatas, Literatura, Referência, etc.) com base na análise de necessidades e prioridades da instituição;
  • mantenha uma pequena reserva orçamentária para a compra de lançamentos importantes ou títulos solicitados após o fechamento do orçamento;
  • documente todo o processo para fins de prestação de contas e futura referência;
  • elabore uma planilha detalhada, listando os títulos/categorias, a quantidade de exemplares, o preço unitário estimado e o valor total por área;
  • redija um documento formal justificando a alocação de recursos, destacando as prioridades e a conformidade com a PDC e os requisitos institucionais (Ex: atendimento à bibliografia básica de um curso).

III. Procedimentos para a aquisição, após a aprovação do orçamento, segue o processo de compra por licitação ou compra direta:

  • s​iga rigorosamente as normas de contratação da sua instituição (especialmente se for uma entidade pública);
  • definina a modalidade, verificando se a compra deve ser feita por meio de licitação, (geralmente para grandes volumes), seguindo a Lei Federal nº 14.133/2021) ou por dispensa de licitação, no caso de valores abaixo do teto, por intermédio de compra direta, junto ao fornecedor que oferecer menor preço;
  • elabore ou forneça subsídios para o Termo de Referência, especificando claramente o objeto (título dos livros, incluindo ISBN, autores, edição, encadernação, etc.), o valor estimado e os prazos de entrega;
  • formalize a compra após a conclusão do processo licitatório ou de dispensa, garantindo a reserva orçamentária;
  • monitore os prazos de entrega e verifique a conformidade do material com o pedido, conferindo os títulos, edições, quantidades e estado físico (sem defeitos de impressão/encadernação) estão corretos;
  • confirme se os valores da nota fiscal correspondem aos valores orçados e empenhados;
  • encaminhe as publicações para o processamento técnico.
IV. Registro patrimonial, com a catalogação, classificação, etiquetagem e tombamento, introduzindo as publicações adquiridas ao acervo da biblioteca. 

​Seguindo essas etapas, você terá um processo de compra de livros transparente, bem fundamentado e que maximiza o impacto do seu orçamento na qualidade do acervo da biblioteca.

quarta-feira, 24 de setembro de 2025

Estantes cheias e mentes vazias

Essa postagem foi motivada pela postagem de Raphael Vassão Nunes Rodrigues, no LinkedIn, em que fiz esse comentário e resolvi desenvolvê-lo mais, para divulgar aqui em Leitura e contexto.

Realmente é uma tristeza, estantes cheias e mentes vazias. O livro perde sua essência, de ser uma janela para outros mundos, um companheiro silencioso ou um mestre paciente. Ele se torna um mero objeto inanimado, um item de design, enquanto as histórias, os saberes e as ideias que ele guarda permanecem intocados, esquecidos dentro de uma bela capa. É uma tendência que, no fundo, esvazia o propósito fundamental do livro e celebra a aparência em detrimento da substância.

Isso porque fiquei pensando no foco do texto dele, nessas pessoas que possuem uma estante cheia de belíssimos livros, com capas artisticamente enfeitadas, verdadeiras obras de artes, mas, infelizmente, são apenas itens decorativos. Essas pessoas não têm a preocupação, nem interesse, nem incentivo, nem vontade de lê-los, A finalidade é tão somente mostrar uma falsa intelectualidade e riqueza material.


Esta situação se desvincula-se do real propósito da leitura. A estante de livros se torna, então, mais um item de decoração, um objeto para ostentar riqueza material e claro, uma falsa intelectualidade, sem o genuíno interesse pelo conhecimento que cada obra pode oferecer.

Essa tendência, que prioriza a aparência em detrimento do conteúdo, pode ser vista como um reflexo de uma sociedade que valoriza a imagem e a superficialidade. Ao invés de se aprofundar nas ideias e reflexões que os livros oferecem, a pessoa se satisfaz com a simples posse, usando as lombadas coloridas como uma espécie de troféu vazio. A intelectualidade se torna uma performance, e a leitura, um acessório.

Com a ausência de uma verdadeira conexão junto ao que está escrito, o livro deixa de ser um portal para novas realidades e se torna apenas um símbolo de status, empilhando-se em prateleiras como peças de mobiliário. 

Em um mundo onde o acesso à informação é cada vez mais fácil, a posse física de livros é uma forma de diferenciar-se, de criar uma aura de cultura que muitas vezes não corresponde à realidade. Essa atitude pode acabar por esvaziar o significado da leitura, transformando uma atividade de enriquecimento pessoal em uma mera ferramenta de autopromoção.

Que o livro saia das estantes, que passe de mão em mão, que leve informação, conhecimento e lazer, que cumpra de fato a sua missão! Uma vez existindo em um lar, que seja objeto de desejo para leitura.

sábado, 13 de setembro de 2025

A Riqueza das ruas

"As ruas são como arquivos, verdadeiras bibliotecas da história que pesquiso, escrevi e pela qual sou apaixonado. [...]"

Essa frase me chamou a atenção e foi a razão para eu adquirir o livro. É que trabalho com arquivo e biblioteca e essa visão do autor, fazendo essa analogia, caiu como uma luva para valorizar essas duas instituições.

Passei a conhecer o autor a partir de então, e sendo ele historiador, com certeza é pesquisador assíduo em arquivos e bibliotecas, aí vai minha admiração.

Em O Corpo encantado das ruas, de Luiz Antonio Simas, Editora Civilização Brasileira, vemos diversos sujeitos vivendo, atuando, preenchendo, colorindo e até modificando esses espaços.  

É o retrato das ruas do Rio de Janeiro na sua efervescência, cheias de vida, porque os atores ali estão e o convite para usarmos mais as ruas, não só como passagem, mas para ocuparmos esses espaços cheios de costumes e cultura, protegidos pelos entidades que já existiram, os ancestrais.

E, como o próprio autor coloca na frase que destaco acima, as ruas podem ser, na verdade são, verdadeiros arquivos, bibliotecas vivas, pois cada personagem é elemento que as compõem são itens informacionais. Daí eu acrescento à fala do autor que também são como museus, museus a céu aberto. Isto porque nas ruas estão também peças imóveis, pessoas que habitam sempre os mesmos pontoos e ficam vendo o movimento, vendo o tempo passar, mas sempre muito bem contextualizadas no cenário.

Comprei, chegou e já comecei a ler.




quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Livraria em Ouro Preto

Não podia faltar visita a uma livraria. No percurso das andanças pelas ruas ladeiradas de Ouro Preto me deparo, sem querer, mas querendo, com Outras Palavras Livraria. Apreciei de perto o balcão onde estavam expostos as publicações sobre Minas e a Cidade, uma riqueza!




domingo, 24 de agosto de 2025

Rua de livros

Adorei ver esses livros em Ouro Preto nas "prateleiras" da rua, bem sugestivo e convidativo.

O local é um dos mais requisitados, é a Rua Direita  como é mais conhecida popularmente, mas o nome oficial é Conde de Bombadela. Subi e desci  várias vezes essa rua, fazendo turismo nessa cidade histórica.e ao me deparar com esse cenário, não deu outra, tive que registrar.



segunda-feira, 11 de agosto de 2025

Qualquer leitura vale a pena

No Dia do Estudante vale ressaltar que qualquer leitura vale a pena. Principalmente quando os pequenos têm a curiosidade de perguntar, devemos aproveitar a oportunidade e oferecer leitura para satisfazer essa fome de conhecimento.

Até a turma do Snoopy & Charlie Brown apoiam a ideia, na fala deles, livros são um banquete.




sábado, 26 de julho de 2025

Dançar com livros

imagem em questão, "Loves of BookS, Conceptual Image", do artista SMETEK (em Art.com), retrata uma figura humana formada por livros numa pose peculiar do tango

 

O papel fundamental e transformador do conhecimento é representado pelos livros na formação da identidade humana, expresso através da metáfora apaixonada e dinâmica do tango.

A imagem combina poderosamente o simbolismo tradicionalmente estático e pesado dos livros (representando conhecimento, permanência e sabedoria histórica) com o movimento fluido, apaixonado e movimentado do tango.

Os livros, formando o próprio tecido físico do indivíduo, simbolizam que o conhecimento molda e define a identidade humana, o intelecto e a própria existência.

Achei por demais sugestiva essa imagem surrealista com visual cativante e provocador. Chamou tanto a minha atenção, que associei a ela uma reflexão com nuances de vários contextos.

A ideia de "dançar com livros" pode ser entendida como uma forma de explorar o universo da leitura de maneira ativa e criativa, onde a imaginação e as emoções são postas em movimento, assim como na dança.

Viver em meio a livros é tudo de bom. Pegar, ler, se deleitar, sonhar, viajar, se deslumbrar, e por que não, dançar?

Dançar com livros pode ser um momento leve e despreocupado em relação ao aprendizado ou à leitura. Ao invés de uma postura rígida e formal, a pessoa estaria aberta à exploração e à expressão pessoal, "dançando" com o conhecimento de forma mais livre e intuitiva.

Por outro lado, pode-se interpretar como uma forma de interagir ativamente com o conteúdo do livro, não apenas lendo-o passivamente, mas "dançando" com ele, ou seja, explorando diferentes perspectivas, relacionando o conteúdo com outras áreas do conhecimento e aplicando-o de maneira criativa.

E assim como "dançar conforme a música" significa se adaptar às circunstâncias, "dançar com livros" pode indicar a capacidade de adaptar o conhecimento adquirido à realidade, utilizando-o de maneira prática e relevante.

E, levando para um lado mais artístico, "dançar com livros" pode também ser uma performance ou expressão corporal que se inspira ou interage com os livros, utilizando a dança como forma de interpretação ou comentário sobre os textos.

Afinal, seja qual for o aspecto a ser considerado, dançar com livros é um ótimo incentivo à leitura. Vamos dançar com livros?

segunda-feira, 7 de abril de 2025

XV Bienal Internacional do Livro do Ceará 2025

Estou aqui, na Bienal! Momento ímpar para conhecer mais sobre o mercado livreiro, novos autores, novas editoras/livrarias, novas opções de leitura, além das promoções que estão valendo e as inovações dos produtos, sobretudo para o público infantil. 




Eu, enquanto bibliotecária e conselheira do CRB 3, estive no estande apoiando a iniciativa da Instituição, que chama a atenção da sociedade para a Lei 4.084/1962, com o enfoque: "bibliotecas com bibliotecários", imprescindível, já que a profissão é regulamentada. Também é foco nesse evento a Lei 12.244/2010, que exige "escolas com bibliotecas", direito do alunado.




Levei alguns exemplares do livro Poesia do Meu jeito, escrito pela minha mãe, para exposição e doação aos visitantes do estande do CRB 3/ABC.

Além do estande do CRB 3/ABC, percorri e visitei livrarias e editoras. Comprei os livros Arquivologia e Curadoria, que serão minhas próximas leituras. O primeiro, para acompanhar a nova graduação que estou cursando, o segundo, porque é a bola da vez.





Voltarei outro dia à Bienal e farei nova postagem.

domingo, 6 de abril de 2025

Mais uma Bienal no Ceará

Abril, mês de referência ao livro, à literatura, à leitura e à autoria. Mês de leituras mil! Isso porque temos várias datas relacionadas a esse contexto.

Dia 02: Dia Mundial do Livro Infantil, em homenagem ao escritor dinamarquês Hans Christian Andersen, autor de contos mundialmente conhecidos.

Dia 18: Dia Nacional do Livro Infantil, homenagem ao editor e autor brasileiro Monteiro Lobato, pai da literatura infantil no Brasil.

Dia 23: Dia Mundial do Livro e do Direito do Autor, em alusão ao falecimento dos escritores Miguel de Cervantes e William Shakespeare.

E neste ano, para completar, temos a Bienal que reúne tudo isso, muitos autores, lançamentos e milhares de livros, livros de toda sorte, para todos os gostos.

Com a temática "Das fogueiras ao fogo das palavras: mulheres resistência e literatura", traz a reflexão sobre a resistência, a luta e a atuação das mulheres na sociedade e no cenário literário.

O Conselho Regional de Biblioteconomia CRB 3 Com seu estande, chama a atenção para a necessidade do cumprimento da legislação em relação ao exercício da profissão e à exigência para a existência de uma biblioteca com bibliotecário em cada escola.

Com uma programação bem variada e extensa, traz tudo de bom para os leitores, bibliotecarios, professores, educadores e  toda a sociedade.


E eu estarei lá dando suporte ao CRB 3 e curtindo todas as maravilhas dessa Bienal.


domingo, 16 de março de 2025

Escultura em livros

Simplesmente magnífica essa escultura, desde o uso do papel ainda como matéria-prima, até o seu significado concebido em obra, afinal, "somos o resultado dos livros que lemos,  [...]." (Airton Ortiz)

Obra do artista chinês Li Hongbo